26.3.06

Papagaiada


Uma decisão inédita da justiça no Espírito Santo, no que diz respeito às questões ambientais, impeliu a Superintendência do Ibama no Estado a devolver uma ave apreendida em situação irregular.

Em Vila Velha, no bairro o Ibes, uma família mantinha um papagaio da espécie popularmente conhecida como chauá, e que se encontra em extinção. A Polícia Ambiental apreendeu o animal no dia 17 de fevereiro e desde então ele permanecia sob a guarda do Ibama, no Centro de Reintegração de Animais Silvestres (Cereias), em Aracruz.

A família recorreu à justiça para obter a guarda permanente de Zé, nome pelo qual chamam o papagaio, alegando que uma menina, filha do casal que entrou com a ação, estaria com problemas psicológicos devido à falta da ave, seu animal de estimação há nove anos. O juiz Roberto Gil Leal Faria, do 2° Juizado Especial Federal Cível de Vitória, sensibilizado pela história de Thaís, 12, concedeu, em decisão inédita, a guarda à família da menina, tendo o Ibama 48 horas para devolver o papagaio sob pena de R$ 1.000,00 de multa diária em caso de não devolução, a contar do dia da decisão, 15 de março.

A menina mobilizou os pais à procura da ave, que estava em meio a muitas outras da mesma espécie e foi encontrada no viveiro de aves mutiladas, uma vez que o papagaio teve uma das asas cortadas, uma prática comum das pessoas que mantém aves em cativeiro. No dia 23 de março, Zé, que na verdade é uma fêmea, voltou para a guarda da família.

O analista ambiental e especialista em aves do Ibama, Jacques Passamani, ressaltou o risco dessa decisão, que abre precedentes para que outras pessoas também recorram à justiça para regularizar animais ilegalmente obtidos, o que estimula o tráfico de animais silvestres. Ele lembrou ainda que para cada animal que chega às mãos do consumidor, como o papagaio “Zé”, outros nove morrem nas mãos dos traficantes, entre a captura e o transporte. O Ibama vai recorrer da decisão.

5 Gritos:

Blogger Laééércio! said...

Este comentário foi removido por um administrador do blog.

20:48  
Blogger Laééércio! said...

Parabéns pela estréia! Texto muito bem redigido.

Bom... Sobre o post, concordo que a deliberação da Justiça abre um péssimo precedente. É fato. Porém, o dano psicológico a esta menina, se verdadeiro for, não pode ser desconsiderado.

Além disso, a vigilância deve de ser dura e eficiente no trato com os traficantes de animais silvestres. Não somente em casos isolados como esse. O trabalho é difícil. Principalmente à Polícia ambiental, sucateada, inepta, morosa e corruptível, que é a brasileira.

Não quero, entretanto, defender a péssima conduta brasileira de criar animais silvestres em cativeiro. Mas, daí ao Ibama querer "mostrar serviço" à sociedade e aos ambientalistas do Brasil e além-mar por ter apreendido a Ave da posse dessa família é, em verdade, patético. Visto que o cerne do problema permanece inalterado.

21:07  
Blogger Letícia Gama said...

Concordo com o Fabrício...
Só acredito ser interessante ressaltar que foi a própria família em questão que havia procurado o IBAMA para legalizar a situação do Zé!
Mostrar serviço assim é muito fácil!...

02:42  
Blogger Laééércio! said...

Pois é... eles não mostram serviço. Esperam ele chegar...

15:18  
Anonymous Anônimo said...

O juiz ficou sensibilizado com a menina mas p/ este papagaio chegar a casa dela muitos iguais a ele foram mortos em situações brutais comuns dos traficantes de aves e o pior, destroem as árvores com cavidades para ninhos pois os papagaios dependem desses "buracos" para reprodução...
Triste notícia, não pela garotinha, mas pela situação q abre portas p/ outros ilegais...

22:18  

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