20.12.06

Territorialismo Individualista



Frente aos últimos acontecimentos entre o caso da multinacional Aracruz Celulose e o conflito com os índígenas, trago aqui uma reflexão que se coloca diante do fato.
Estou lendo um livro de um dos maiores geógrafos e intelectuais desse país - Milton Santos, em seu livro encontrei algumas colocações que elucidam de uma forma bastante clara esse fenômeno. Milton discorre sobre a questão da apropriação dos territórios com finalidades individualistas e competitivas.
"Essa é uma competitividade que agrava as diferenças de força e as disparidades, enquanto o território, constitui-se num instrumento do exercício dessas diferenças de poder."
Cada empresa, porém, utiliza o território em função dos seus fins próprios e exclusivamente em função desses fins. Elas têm olhos para os seus próprios objetivos e são cegas para tudo o mais. Desse modo, quanto mais racionais forem as regras de sua ação individual tanto menos tais regras serão respeitosas do entorno econômico, social, político, cultural, moral ou geográficos, funcionando, as mais das vezes, como um elemento de perturbação e mesmo de desordem, afirma Santos.
O Estado de uma forma geral tem contribuído bastante para que essa realidade continue, na última manifestação dos funcionários da empresa aqui em Vitória, o vice-governador Lelo Coimbra se manisfestou de forma categórica ao afirmar "que o que for de interesse da Aracruz é também interesse da sociedade capixaba". Isso significa claramente que os índios nesse caso não foram vistos como membros dessa sociedade.
E a desordem continua...
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