30.11.05

MSTerroristas

Deu no jornal: mais uma da bancada ruralista. Segundo relatório aprovado na CPI da Terra, ocupação agora pode ser considerada crime hediondo e os praticantes de tal ato, terroristas.

A Agência Carta Maior termina sua matéria lembrando que "1,6% dos proprietários com imóveis acima de mil hectares possuem 46,8% da área totalexistente no país"

Então? quem são os maiores prejudicados da história toda? Os latifiundiários ou os camponeses sem-terra? Hein? O que é hediondo? Ocupar terras improdutivas e griladas ou manter a concentração fundiária brasileira???
Interrogações, interrogações e mais interrogações. Reflita.

Saiba o que Emir Sader considera realmente hediondo


















Foto de um pequeno "terrorista"(?)

29.11.05

A verticalização das coligações

Vem chegando 2006, ano eleitoral. No Congresso, volta-se a questionar a verticalização das coligações partidárias, que obriga que as alianças nacionais sejam repetidas nos estados. Uma Proposta de Emenda Constitucional está para ser votada em Brasília.

A verticalização na política brasileira não faz sentido, parece uma tentativa de moralizar pelo caminho errado. Primeiramente é preciso lembrar que o Brasil é extenso e com muitas diferenças regionais, que geram alianças estaduais diferentes das nacionais.

Além disso, maioria dos partidos não tem ideologia nem identidade, os políticos trocam de sigla como quem troca de roupa, as propostas de muitos adversários são praticamente iguais nas eleições. Precisamos mesmo é de uma reforma política radical!
(continua...)
A maioria dos dirigentes partidários do estado declararam ao jornal A Gazeta que são contra a verticalização. O presidente do PSB estadual, dep. Renato Casagrande, destacou que a regra é só um "faz-de-conta", pois "o partido que não tem coligação nacional faz a aliança que quiser nos estados". Luciano Rezende, dirigente do PPS, alertou para o fato da emenda ser proposta muito próxima ao período eleitoral. Segundo ele, a mudança das regras eleitorais em cima da hora está virando hábito, o que é muito perigoso.

O único que manifestou-se a favor da verticalização foi o líder do PSOL, Sílvio Felinto. Para ele, a regra "ajuda a acabar com o troca-troca partidário e une os partidos que são afinados ideologicamente em um único bloco". Só ser for na teoria, né? Porque nas últimas eleições presidenciais o PT se aliou ao PL, por exemplo. E os partidos da extrema esquerda lançaram cada um seu candidato.

28.11.05

Sobre a Televisão

Vivemos num país que se comunica pela televisão. O Brasil se conhece e reconhece pela televisão, e praticamente só pela televisão, que reina absoluta no público nacional. Não há outro veículo que a conteste, ou que se equipare a ela. A TV monologa dentro das casas brasileiras, ela dá a primeira e a última palavra e, mais que isso, a primeira e a última imagem sobre todos os assuntos. O pior nesse emaranhado de coisas é que nesse monólogo audiovisual, o telespectador é o último a ser consultado e o primeiro a ser usado, comercialzado ou mesmo ofendido.

Nem mesmo como consumidor de programas de TV o telespectador é respeitado. Ele fica a mercê do que os detentores destes meios queiram veicular, não existe diálogo entre ambos. A censura no Brasil existe sim, só não é feita pelo Estado, e sim pelas emissoras e por seus donos, que sonegam determinados assuntos ao público. Ou seja, de um certo modo, vivemos sob a privatização também da censura.

Embora desempenhe uma função pública, a imprensa opera como empresa privada, com interesses e fins privados. Daí surge a pergunta, onde estão as alternativas de mudança? Como elas seriam possíveis, de que forma se mantêm uma postura contra hegemônica? Como nós - povo, participariamos da outorga das concessões de canais às empresas privadas e também do controle do cumprimento dos termos dessas concessões?
No Brasil essas concessões estão nas mãos de poucos, em sua maioria políticos, que dominam o campo da comunicação nesse país, e nós nos esquecemos disso muitas vezes.

Precisamos pensar num compromisso, um contrato ético que fosse assinado e lido em voz alta, diante de representantes do Congresso Nacional, por todos, os que ganhassem concessões de rádio e televisão. Esse quase juramento teria o efeito de subordinação a emissora ao poder que representa a vontade popular, e seria transmitido pelos canais envolvidos no processo. Caso desobedecesse aos termos desse contrato, o concessionário estaria sujeito às penalidades previstas.

A população deveria participar na decisão sobre a renovação dessas concessões, ainda que em caráter meramente consultivo, dessa forma estaríamos representados e legitimados pela democracia, pelos ideias democráticos. Somos reféns de concessões autoritárias, somos os maiores prejudicados e nunca somos incluídos nesse trâmite, somos marginais nesse sentido...
Precisamos buscar formas de inclusão, nos interarmos para trasnformar é isso...
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27.11.05

"Mais valem pobres na mão do que pobres roubando"

Ontem eu assisti ao filme "Quanto vale ou é por quilo", recém-chegado às locadoras. Caraca. Que tapa na cara!

O pessimismo e a ironia do diretor Sérgio Bianchi seguem marcantes nesse filme, que problematiza a questão do Terceiro Setor. "Quanto vale" faz uma comparação da escravidão com o modelo de dominação atual, apontando que mesmo em tempos tão distintos os ricos continuam a explorar os pobres de maneira parecida.

Ele mostra uma empresa que lucra com a miséria através programas assistencialistas. Os empresário brigam pelo dinheiro público despejado nas ONG's e superfaturam os programas para desviarem verbas.

Bianchi mostra o assistencialismo não como tentativa de ajudar as pessoas necessitadas, mas como forma de aumentar a lucratividade e fortalecer a marca das empresas e como meio de aliviar a consciência da classe média, que acha que ajudando estes projetos já estão fazendo sua parte na construção de um mundo melhor.

Um filme pra assistir e refletir. Confira.
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26.11.05

Versos vazios

A cada fim de semana a história se repetindo
e vou destruindo fígado e coração
álcool e solidão se fundindo ao poucos
e os gritos roucos tentando me convencer
a me entreter nesse mundo que não é meu

o corpo cresceu mas vou me perdendo
e querendo acreditar que é momento
que tempo ajuda a superar
e me tornar alguém normal e feliz
mas quis ser isso que eu sou
não vou ser o que querem ver
vou viver morrendo a cada dia

Vida fria, sem amor e sem amar
sem odiar quem me odeia
a barriga cheia e o coração vazio
por um fio a vida se desfaz
incapaz de deixar algum rastro
e me arrasto sem vontade nem esmero
querendo acreditar que acredito no que quero

25.11.05

Estamos em guerra?

A capa do jornal A Tribuna traz essa bela imagem de tropas militares desembarcando no litoral capixaba.

O título é "Operação resgate no Sul do Estado". O subtítulo aponta que "fuzileiros navais desembarcaram na areia de Itaoca. Milhares de homens das Forças Armadas estão reunidos em Itapemirim".

O que será? Operação militar no ES? Resgate de quem? Meu Deus!!! Estamos em guerra? Porra nenhuma!

Abrindo na página 14, a matéria fala da simulação do resgate de civis no exterior que as Forças Armadas realizam em Itapemirim. Segundo o jornal, cerca de 3,8 mil militares estão no Estado.

Pô, vai ser sensacionalista assim na casa do carvalho!!!!

obs.: meu título também é sensacionalista. hehehehe
(tap tap) Hipócrita!

Racismo no Orkut

O anonimato e a confusão entre leis no sitema mundial de computadores dificulta a punição de racistas.


Internet possibilita que todos que queiram possam falar (ou escrever). Por outro lado, a ação contra criminosos virtuais é muito difícil. No Orkut é possível encontrar comunidades que incitam o racismo. Porém, crimes virtuais são legislativamente mais complexos e exigem maior esforço para encontrar os criminosos.

O Google diz que é proibido qualquer tipo de preconceito no Orkut, mas não consegue ter o controle de tudo que se passa no site. Por estar hospedado nos Estados Unidos, a empresa não pode ser processada. Entretanto, o promotor de Justiça Christiano dos Santos afirma em entrevista ao site Link que se as ofensas forem realizadas no Brasil cabe processo ao racista. "O que é crime no mundo real também é crime no mundo virtual", ressalta ele.

Luiz Fernando Cunha, investigador da Polícia Federal, diz à Agência Repórter Social que nesses casos identificar os criminosos é mais difícil, mas não é impossível.


23.11.05

Governo do Estado assume obras do Canal Bigossi I

Foi aprovado há pouco na Assembléia Legislativa a liberação de R$ 300 mil reais para o Governo utilizar nas obras no Canal Bigossi, objetivando ligar a Avenida Carlos Lindemberg à Terceira Ponte, em Vila Velha.

As obras estavam previstas para serem realizadas pela RodoSol, empresa administradora da Terceira Ponte e da Rodovia do Sol, mas foram adiadas. Moradores locais colocaram uma placa nas proximidades do canal com mensagem de protesto e contador do número de dias de atraso. O Governo Estadual resolveu assumi-las.

O Secretário de Planejamento Gulherme Dias esteve na AL semana passada mas não foi muito convincente. Segundo ele, a Rodosol abriria mão do aumento do pedágio para os próximos anos e em troca a Secretaria Estadual de Desenvolvimento de Infra-Estrutura e de Transportes realizaria as obras.

(continua...)

Governo do Estado assume obras do Canal Bigossi II

O placar da votação foi 15 a 7. Os deputados que eram contra o projeto obstruíram a votação nas últimas semanas porque não consideravam muito clara a explicação do Governo para assumir as obras, que de acordo com o contrato de concessão seria realizado pela Rodosol.

Não me recordo exatamente os números. Era algo como: a Rodosol abria mão de mais ou menos R$ 150 milhões e o governo gastaria cerca de R$ 20 milhões. Alguns deputados desconfiaram do motivo que levaria a empresa a dispensar esse dinheiro todo e pediram mais discussões e melhores explicações. Os outros deputados se calaram e votaram a favor da proposta hoje. Também achei tudo bem estranho.
(continua...)

Governo do Estado assume obras do Canal Bigossi III

Em Julho, quando cerca de 4 mil estudantes capixabas protestavam contra o aumento da passagem de ônibus e levantaram as cancelas da Terceira Ponte (não me perguntem o que a Rodosol tem a ver com o aumento da tarifa) o prejuízo da empresa foi pago pelo Governo de acordo com o reequilíbrio econômico-financeiro. O mesmo reequilíbio econômico-financeiro permitiu que a Rodosol adiasse as obras do canal.

Esse é o problema das concessões de serviços públicos a empresas privadas: aconteça o que acontecer, elas sempre têm seus interesses atendidos.

Só pra lembrar, a causa dos protestos em Julho foi o repasse à população do ônus causado às empresas de transporte pela conquista de benefícios por parte dos rodoviários na Justiça do Trabalho.
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*Esses três posts são dedicados ao meu querido amigo João Tarcísio, sua família e seu cachorro Fred (meu afilhado) que sofrem diariamente com o odor desagradável que exala do Canal Bigossi.

Novo round na luta de Davi contra Golias

E fez-se mais um round na luta entre os presidentes George "Presidente da Polícia Mundial" Bush Jr., e o Hugo "Pai Populista dos Latino-Americanos" Chávez.

Dessa vez, o presidente venezuelano preparou um duro golpe em seu oponente estadounidense (o grande Golias). A diferença é que agora a luta será em novo front, levando a briga diretamente para a casa do adversário numa tática muito corajosa, como pode ser lido em matéria da BBC.


Resta ver no final quem vai ganhar essa luta! Na minha modesta opinião, essa decisão não será por nocaute, e sim por pontos.

O treinador do pequeno Davi, comandante Fidel Castro, é quem deve estar rindo à toa das peripécias de seu pupilo.
Abreu falou sobre inversão de valores. Resolvi falar também. É mais um desabafo mesmo.
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Sou filho da classe média, muito bem educado por meus pais. Sempre me interessei por política, muito por influência do meu pai. Entrar na Ufes e cursar Comunicação Social fizeram com que tivesse contato com outras realidades, pudesse ver o mundo de uma forma diferente, e cada dia mais, me indignasse com a realidade de injustiças e desigualdade.

Em minha recente vida de militante meia-boca convivo com um preconceito bem estranho. A maioria dos amigos ou conhecidos, sejam jovens ou adultos, me olham estranho e superficialmente. Ao saber que estou em algum protesto logo vêm as conclusões super 'pensadas': "Vixi, entrou na Ufes e virou rebelde", "Mais um comunistazinho", "Ah, é só um playboyzinho metido a engajado. O cara protesta usando tênis da Nike!", "Só falar em protesto e ele tá lá. É um rebelde sem causa"

Conto nos dedos os que ao invés de falar essas coisas me perguntaram o por quê de eu estar protestando, que quiseram se informar do motivo da indignação, entender o assunto.

Pra mim a inversão de valores está no fato de que alguém que acredita na mudança e que luta por uma cidade, um país, um mundo melhor nunca recebe aplausos. Até porque hoje o que vale é o resultado, e não a vontade e a coragem de lutar pelo que você acredita.

Nem aplausos nem incentivos.
Dos que vêm conversar, muitos querem lhe convencer que você deve desistir, que você nunca vai conseguir mudar o mundo. Já que a multidão se nega a fazer algo, junte-se a ela e não aos dez militantes que protestam em vão. Aceite tudo e fique sentado. Isso é o normal. Seja normal! Só assim você será totalmente aceito na socidade.

Mas não é o pior. Ao invés de tentarem lhe convencer de que eles tem razão, tentam lhe mostrar que você está errado. Procuram possíveis contradições, pra falar que você não está fazendo as coisas direito. Como se criticar as injustiças ou o capitalismo seja retrógrado e os que o fazem tenham que viver um mundo dedicado exclusivamente à causa. Como se só existeissem dois caminhos: aceitar tudo e ser um cidadão padrão ou virar um hippie e se desvincular de todos os valores materiais e, aí sim, ser digno de protestar.

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Não estou dizendo que sou o dono da verdade, que tudo que faço é o certo. Só estou apontando que muitas pessoas julgam outras por esteriótipos ou por imagens superficiais e não pelo que o outro pensa, acredita ou faz pra conquistar o que almeja.

"Não abra mão do que você aprendeu pra ser o que eles desejam que você seja."

21.11.05

Os "valores" de uma sociedade

Já pararam pra pensar como vivemos numa sociedade de “valores” invertidos?

Eu sempre fui aculturado de modo a entender que a solidariedade, compaixão, ética, etc, são nossos principais valores. Semanas atrás parando pra analisar um pouco o mundo em que vivemos, me deparei com uma situação estarrecedora:

Que falta ética no mundo, isso já é sabido (mesmo que definir ética seja algo complicado). A política é o principal meio de conferirmos a falta de ética na sociedade, e como ela (a política) faz parte da vida de todo mundo quer queiram, quer não, isso mostra um pouco o quanto andamos mal nesse "valor".

Mas para piorar, fui dias desses numa pracinha de minha cidade comer um doce qualquer, apenas para passar o meu tempo durante o final de semana. Eis que não agüento mais comer o bendito doce, e ofereço-lhe à um pobre mendigo que caminhava, em um maior gesto de boa vontade, já que eu não agüentava mais. Pra minha surpresa, o mendigo ficou me olhando com ar de desconfiado, e não “gostou” muito de eu ter oferecido a comida à ele (isso porque 10 segundos antes de eu oferecer o bolo, ele tava pedindo pra outra pessoa). Daí reparei que gestos como esses já soam tão tão estranhos ao nosso mundo, ao ponto de até os necessitados desconfiarem de quem os pratica.

E como num gran-finale pra essa minha noite na praça, ao caminhar de volta pra casa vejo uma multidão olhando para uma mesma direção. Já que eu estava sem óculos, perguntei ao meu amigo o que se passava lá, pois eu não conseguia enxergar. Aí veio o baque! Ele me respondeu na maior calma: “ah, é só um muleque cheirando cola”.
Todos ao redor suspiraram como num alívio coletivo e voltaram ao que faziam antes.

Um policial foi lá no “moleque” e jogou a cola dele no chão. A partir daí, reparei como pra gente fatos tristes como esses já são tão normais ao ponto de aceitarmos.
É triste mas é a verdade. Quem sabe daqui a alguns anos quando virmos alguém literalmente morrendo de fome, ou estuprando alguém na nossa frente, também não passemos e pensemos:

“ah, é só um moleque lá no canto dele”.

20.11.05

Cuidado com esse branco aí parado do seu lado.

Em 13 de maio de 1888, depois de muitos anos de humilhação, o negro finalmente é libertado da escravidão no Brasil.
A Lei Áurea tinha apenas 2 artigos:

Art 1° - É declarada extinta desde a data desta lei a escravidão no Brasil.
Art 2° - Revogam-se as disposições em contrário.

O negro estava livre da escravidão. Mas, e aí?
Não foi feita nenhuma política de inclusão social, o negro simplesmente ficou jogado. E até hoje os afro-brasileiros lutam para diminuir o preconceito e miséria que a história do Brasil construiu.

A Lei Áurea significou apenas a substituição da escravidão oficial pela escravidão velada na sociedade brasileira. O negro continua em condição social inferior. Por isso, 13 de maio foi substituído por 20 de novembro como Dia Nacional da Consciência Negra.


Hoje, é o aniversário de morte de Zumbi dos Palmares, líder do maior quilombo das Américas (Quilombo dos Palmares), herói e símbolo da resistência negra no Brasil.

É dia do negro soltar seu GRITO SUFOCADO, de bater no peito e dizer que não tem vergonha da sua cor, de exigir políticas que diminuam a desigualdade social.

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19.11.05

QUAL É?

Se um negrinho do morro te rouba R$ 10 você fica puto, chama a polícia e quer que ele seja preso.

Mas quando os homens de terno roubam R$ 27 milhões de você e de quem não tem o que comer você fica parado???

Qualé?

18.11.05

Desculpas de quem não tem o que postar

Bem, a Internet possui um fomato rizomático. Isso quer dizer que é um meio horizontal, no qual qualquer pessoa é um potencial emissor de informação.

Os blogs são uma ferramenta muito propícia para que os indivíduos exerçam seu direito de falar. Porém, também é fundamental saber ouvir. E muitos blogueiros ficam restritos a seu pequeno grupo de amizades, perdendo um universo de notícias, opiniões, informações, piadas e viagens psicodélicas que a Internet pode nos proporcionar.

Você deve estar pensando: "Tá. Mas aonde esse cara quer chegar?"
Bom, a verdade é que eu não tenho nada de interessante pra postar hoje, então peço pra você visitar outros blogs. Dou uma dica por onde começar: veja esse texto sobre 'o ódio às modinhas'. Achei legal, talvez você ache uma merda. Mas na Internet é assim, tem coisa pra todos os gostos.
Tava lendo o blog Polimídia e resolvi falar um pouco sobre a eleição de Lula.

Uma vez li um artigo de Ferreira Gullar para a Folha de São Paulo que achei bem interessante. O escritor apontava o ponto crucial para que o "Sapo Barbudo" de outrora chegasse ao poder. Depois de sua terceira derrota eleitoral consecutiva, Lula não queria mais disputar eleições para perder. O PT não tinha nenhum candidato que tivesse prestígio próximo ao de Luis Inácio. Então fez-se o acordo: o PT (já dominado pelo Campo Majoritário de Dirceu) concordaria em lançar Lula candidato à Presidência da República, mas desta vez era pra ganhar.

E o que era preciso para ganhar? "Modernizar" as idéias do partido. Esse modernizar pode ser lido como abrir mão de quase tudo que foi construído em tantos anos do PT. O segundo mandato de FHC deixou a população insatisfeita, principalmente com a área social. Logo, seria uma ótima chance pra a esquerda brasileira.

Mas ainda teria alguns problemas. Isso não bastaria para a eleição. Era preciso primeiro o apoio dos empresários e com o dinheiros deles a elaboração de uma bela campanha de marketing e, por conseguinte, convencimento do povo para que votasse no candidato. Isso sem falar no famigerado mercado, cuja confiança era fundamental. A aliança com o PL, que antes seria abominada, foi usada para mostrar como o partido tinha mudado. O candidato a vice-presidente, José Alencar foi destacado como "um exemplo de empresário".

Durante a campanha foi reafirmado o compromisso com o pagamento da dívida externa, manutenção do superávit primário e controle da inflação. Mesmo asim, o mercado ainda tremeu e o risco-Brasil bateu recordes. Ainda foram prometidos 10 milhões de empregos. Alguém acreditou???

Enfim, o que quero dizer é que a decepção do governo Lula não me surpreendeu muito. Eles disseram claramente que caminho seguiriam (Heloísa Helena e cia. também sabiam, mas esperaram a ascenção ao poder pra reclamar).
Nem os escândalos de mensalão surpreenderam. A direção do PT mostrou-se disposta a fazer qualquer coisa pelo poder. E de jogar o jogo "deles" para isso. Entrar de cabeça na política brasileira, o que inclui caixa-dois, acordos com inimigos, fisiologismo, etc.

Pela primera vez um partido de esquerda chegou ao poder. Mas com uma plataforma meio direitista. Foi nesse Lula que eu votei. Não me orgulho nem me arrependo. Se pudesse voltar no tempo, faria o mesmo.
Ano que vem não sei. Sinceramente, eu não acredito na direita brasileira. Queria que se fizesse uma coalizão forte entre os partidos de esquerda, mas acho improvável. Provavelmente, vou "lular" de novo...

16.11.05

Agir sem pensar

Pra que serve o desenvolvimento tecnológico? Você já se perguntou isso? A maioria talvez não. Como assim “pra que”? Você não quer o desenvolvimento tecnológico? A resposta pode ser: “para trazer mais qualidade de vida ao ser humano”. Mas tem prestado esse serviço? Nas universidades, produz-se muito sem parar fazer esse questionamentos.

Ciência e cultura
Uma nova descoberta é realizada. Os rostos da equipe de pesquisadores estampam a satisfação de dar à humanidade um conhecimento libertador. Em várias partes do mundo, diferentes segmentos resistem à essa tecnologia. Segue-se o discurso tecnocrata de que as pessoas têm medo do novo. Ignora-se que essa novidade está ferindo valores fundamentam de diferentes culturas e esses estão apenas tentando preservar suas referências. Afirmação cômoda dos cidadãos urbanos do ocidente, que têm na modernidade a base de seus valores, em que as novidades são ansiosamente aguardadas. Parece até que a mesma tecnologia se encaixa do mesmo modo em qualquer lugar. Faltou refletir sobre o “pra que” das pesquisas.

Ciência e sociedade
A tecnologia é fruto do patrocínio do capital e seu desenvolvimento se vincula ao do capitalismo. Não prestaria, logo, um outro serviço que não fosse para o próprio capital.
Uma nova descoberta é logo usada na invenção de uma nova mercadoria. Leva qualidade de vida somente àqueles que podem compra-la. Futuramente se tornará acessível ao público geral, mas ainda na condição de que gere lucro ao capital. E mais, quando esse momento chegar, existirão outras novas tecnologias restrita aos endinheirados. Haverá sempre novos produtos para classes dominantes se estabelecerem simbolicamente com tais por sua capacidade de consumi-los.
O capitalismo é o promovedor da ciência que irá servir para que ele próprio se consolide. Difícil pensar uma outra sociedade capaz de promover o conhecimento com tanta força como no capitalismo. Mas a ciência nos tem servido plenamente nesse modelo?

Pra que você faz/fez seu curso superior?

15.11.05

Os dois Vitais

Vitória, capital do Espírito Santo, parece estar em pleno desenvolvimento. Nessa semana, dois carnavais fora-de-época agitaram a cidade.

Um deles se chamava Vital e foi uma alegria só. Segundo o jornal A Gazeta, as melhores bandas de axé vieram da Bahia para agitar milhares de foliões, que puderam se divertir com a maior tranquilidade. O portal Gazeta On-line destacou que "o planejamento realizado pela Polícia Militar e a interação com os outros órgãos envolvidos no Vital consagraram a maior micareta da região Sudeste."

Na outra micareta, também chamada Vital, o clima foi bem diferente. O jornal A Tribuna mostrou em suas páginas a tamanha violência deste evento. As manchetes diziam: "Publicitária não beija e apanha","Brigas nos blocos e na pipoca", "Bebedeiras e furtos na festa" e "Pancadaria e roubos na folia". A polícia foi obrigada a agir com energia, inclusive usando spray de pimenta.

Achei muito estranho duas micaretas com o mesmo nome acontecerem ao mesmo tempo e na mesma cidade. Será que os dois jornais falavam do mesmo evento?

14.11.05

Sonhos permanentes de um mundo transitório

Semana passada fui numa palestra que falava do movimento estudantil de Comunicação da Ufes. Dilson Ruas, membro da primeira gestão do centro acadêmico, levou o panfleto de campanha da chapa, de 1980, início da abertura do regime militar.

Lá encontrei uma frase que me chamou a atenção: "É hora de rompermos com aqueles que sufocam o nosso grito e tentam substituí-lo pelo sorriso pálido de quem não consegue lutar. " Quase 30 anos depois o estudante que vos fala, do mesmo curso, criaria um blog chamado Grito Sufocado. Coincidência? Claro que sim.

Continuei lendo a plataforma da chapa quando de repente... opa! Entre as bandeiras estava a luta em defesa dos índios tupiniquins e guaranis contra os desmandos da Aracruz Celulose. Coincidência? Claro que não! Percebe-se que os absurdos cometidos pela empresa vem desde o tempo de sua fundação.

Muitas das propostas seguem atuais. Não fosse o panfleto rodado em mimiógrafo, passaria facilmente como feito nos dias de hoje. A luta por melhorias no ensino e por uma sociedade mais justa persistem mesmo em épocas tão distintas.

Nota-se uma característica forte do movimento estudantil. Os alunos se vão, mas a luta continua. Como num rio. As águas passam rapidamente até desaguarem na imensidão do mar. Mas o rio segue sempre firme em seu curso, horas mais cheio, horas mais vazio, se renovando a cada dia com novas águas que brotam de sua nascente. Rio perene, águas passageiras.
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"A sonho de hoje pode ser a realidade de amanhã"
"É tentando várias vezes o impossível que se consegue o possível"
Sonhar não custa nada. Pelo menos por enquanto, o sonho ainda não foi mercantilizado. Aproveite!

O caso Araceli

A música Tão Iguais, do Dead Fish, faz referência a um tal "caso Araceli". Um dia, curioso, pesquisei na net sobre o tema. Hoje resolvi fazer um post.
O fato envolve o assassinato de uma criança, um crime cruel e nunca bem elucidado, envolvendo pessoas da "alta sociedade" capixaba.


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No dia 18 de maio de 1973, Araceli Cabrera Crespo, de 8 anos, saiu mais cedo da escola. Sua mãe, uma traficante boliviana, teria mandado a menina entregar um envelope (que continha drogas) num edifício de um bairro nobre de Vitória.

Ao chegar, a menina teria sido atacada por um grupo de jovens entorpecidos, que a drogaram, estupraram, espancaram e mataram. Ainda jogaram ácido sobre a criança, que teve seu rosto desfigurado. Dias depois, o corpo de Araceli foi encontrado num matagal.

As invesigações do caso foram confusas: sumiço de documentos, assassinatos misteriosos, testemunhas que voltavam atrás de seus depoimentos, cumplicidade e corrupção da polícia e do judiciário.

Os acusados pertenciam a famílias poderosas. A sociedade capixaba se calou. Ninguém foi punido por esse crime hediondo.

Em homenagem a Araceli, o dia 8 de maio é o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Infanto-juvenil.

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Leia mais sobre o caso Araceli

Comunidade no Orkut


Não à impunidade!!!! Não ao abuso sexual de crianças!!!!!!!!

12.11.05

Os mano pou, as mina pá!

Eu estava pesquisando na Internet sobre o movimento hip-hop. Encontrei essa matéria, muito boa, falando sobre a importância do hip-hop para a periferia e do caráter político e social do movimento.

No mesmo site, quase chorei ao ler a agenda:

"BUGER KING TOUR-Para você que não conhece esse BURGER KING é nos EUA, uma das maiores ou a maior rede de fast food, batendo de frente com o conhecido de todos McDonalds.
A poucos meses chegaram no Brasil, e estão se espalhando pelo país.O Burger King INAUGURA MAIS QUATRO NOVAS lojas em São Paulo e, para comemorar organizou 4 pockets shows gratuitos.
Para comandar a festa nada menos do que o grupo Motirô do nosso parceiro DJ HUM, que inova na proposta do Hip Hop, deixando de lado as letras de protesto. Mas abusa dos ritmos do rap, drum´n´bass, funk,soul, samba-rock e até o reggaeton."

Acontece com o rap o mesmo que com muitos outros movimentos que emergem da periferia. A indústria cultural mercantiliza e tira o caráter contestatório para que soe melhor aos ouvidos dos 'burgueses'. Vide o Hip-Hop Manifesta, que trouxe grandes astros norte-americanos a um preço totalmente inacessível ao brasileiros da periferia .
Também é visível o fenômeno dos 'plays' e 'patys' metidos a 'mano', com seus bonés que custam 100 reais, nas boates de classe média.

Mas muitos ainda resistem, como os Racionais MC's, (os mano são sangue, tá ligado, truta?), grandes baluartes do rap nacional.
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Hoje eu tô afim de fazer a revolução, mas como num depende só de mim acho que vou encher a cara.
(tap, tap) Hipócrita!!!

Veja que mentira!

Como já disse, na hora de fazer uma crítica é preciso tomar um imenso cuidado para não simplificar as coisas nem ser maniqueísta.

Hoje quero falar sobre a revista Veja. Não que Veja seja responsável por todos os problemas do jornalismo brasileiro. Mas, nas palavras de Raimundo Pereira, "Veja não está isolada em sua ação, mas é a ponta de lança, a que tem mais prestígio e circulação".

Merece um texto exclusivo para criticá-la (no mau sentido). Afinal, trata-se da revista "mais vendida" do Brasil (a ambigüidade é proposital). Mesmo que a maioria da imprensa esteja muito comprometida com os interesses empresariais, Veja consegue ser um caso extremo.

Uma coisa é apresentar uma linha editorial direitista. Nenhum problema. As pessoas pensam diferente. Uma revista que custa quase 10 reais tender em ser elitista também não causa muito estranhamento.
O problema é uma publicação, que se diz jornalística, mentir, omitir, distorcer, manipular, desmoralizar, especular e fazer um jornalismo irresponsável.

Leia o artigo de Anselmo Massad sobre a revista

11.11.05

Jornalismo independente é VITAL!!!

O Vital está chegando. Eu tinha que comentar. Não, não vou ficar falando mal do envento como costumo fazer, meus amigos. Hoje a questão é outra.

Gostaria de refletir, juntamente com o leitor, mais um problema da mídia que muitas vezes passa imperceptivelmente por nós.

A imprensa de massa depende de muito dinheiro para conseguir acompanhar as constantes evoluções tecnológicas e manter seus lucros. Para isso fazem fusões, seguindo a lógica atual do capitalismo. Aí se tornam grandes grupos de "infonimento" (que trabalham com informação e entretenimento) ou então são englobados por holdings que não têm nenhuma relação com a área da comunicação. Os prejuízos ao leitor são inúmeros. Mas vou me ater a um caso bem específico.

Patrocínio versus cobertura- A Rede Gazeta patrocina o Vital há anos. Esse ano é através da Rádio Litoral, eminentemente ligada ao entretenimento. Mesmo assim, na prática, a cobertura jornalística acaba comprometida tanto na Gazeta como na concorrência.
Limitando-se à análise dos jornais impressos, percebe-se, ao longo dos anos, que A Gazeta sempre falou muito bem do Vital. Porém, no ano passado a violência foi tão grande e tão denunciada por A Tribuna que não teve como não ser comentada.

E esse ano? Bem, analisemos os jornais de hoje, quinta-feira.

A Gazeta publicou no Caderno Dois duas matérias: uma sobre os possíveis hits do Vital e uma entrevista com Durval Lelys, vocalista do Asa de Águia. No guia de serviços também saiu uma explicação sobre os desvios do trânsito nos dias do carnaval fora de época.
A Tribuna traz no AT-2 as opções de lazer no fim de semana. Destaque para a cantora Ana Carolina, que apresenta-se em Guarapari. Mas também tem lugar pra outros ritmos, um pagodinho, hardcore e... e... peraí! Ta faltando algo. E o Vital??? Neca. Funciona assim mesmo.A Gazeta divulga, A Tribuna ignora.

Quem perde novamente é o leitor. E pra você? Quem está errado nessa história? Até que ponto os interesses empresarias podem ir dentro de uma empresas de jornalismo? Dê um grito aí!

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Pretendo acompanhar a cobertura da micareta pelos dois jornais. Peço ao leitor que tente fazer o mesmo para que possamos debater novamente e apontar as possíveis contradições.

10.11.05

Eu disse uma vez nesse blog que o niilismo imperava na nossa sociedade. Retiro o que disse.

Pensando melhor, não é o niilismo que faz com que as pessoas sejam tão inertes perante as injustiças sociais. Trata-se de conformismo. São coisas diferentes? Penso que sim.

Os niilistas pensam demais, os conformistas, muito pouco.

Os niilistas negam crenças pois as conhecem mas não acreditam nelas. Eles não vêem sentido na vida humana. Os conformistas não conhecem o que negam e vêem sentido em viver (nem que o sentido seja consumir).
Os niilistas vivem numa imensa angústia. Os Conformistas vivem o esplendor de viver sem preocupações.

Os niilistas são anárquicos, não acreditam no Governo. Os conformistas vêem a política como coisa suja. Daí surgem dois caminhos: se afastar dela ou participar dela para tentar mudá-la. Optam pela primeira opção, mais cômoda.

Os niilistam desprezam a vida e não acreditam na mudança; os conformistas amam viver. Mas amam a vida individualmente, sem se preocupar com os outros. Sabem que existe miséria e exploração mas se recusam a agir de modo a combatê-las. Aceitam a selvageria capitalista como o caminho natural da história. Como se a história não fosse moldada pelo homem.

Muitas vezes, antes de fazer algo eu já me perguntei: "Será que vai adiantar alguma coisa?"
Nunca sei se vai adiantar ou não. Mas sempre me vem uma certeza: Ficar parado não ajuda em nada. Tentar, errar, voltar, lutar, cair, levantar,continuar, acreditar. Só assim podemos transformar algo, tentar o impossível pra conseguir o possível.
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Mais duas coisas que não aparentam mais são muito distintas (reflitam):
-Viver e sobreviver
-Ser e existir

8.11.05

De quem é o mandato?

Hoje é meu primeiro dia de estágio na TV Assembléia.
\o/

Agora poderei acompanhar mais de perto o que acontece na Casa dos nossos legisladores e passar para os poucos leitores deste blog.

Entro num momento interessante. Cinco deputados correm risco de cassação.

Hoje, deputado Rudinho de Souza (PSDB) levantou uma questão de ordem ao presidente da Assembléia, César Colnago (PSDB). Depois de ter seu recurso negado pela Corregedoria, Rudinho pediu ao presidente que não fosse investigado por esta.

Ele alega que não tinha o mandato de deputado estadual na época em que supostamente teria recebido dinheiro desviado da Assembléia Legislativa. Além disso, tinha apenas 20 anos de idade, logo era inabilitado para assumir tal cargo (que exige idade mínima de 21 anos). Desse modo, não se concretizaria a quebra de decoro parlamentar.

César Colnago negou o pedido e disse que a Corregedoria deve apurar as denúncias de acordo com suas competências. Para ele, o suposto recebimento de dinheiro ilegal fere a Constituição, então, Rudinho não estaria apto a exercer o mandato.

Surge uma questão: de quem é o mandato?
Da pessoa física de Rudhson de Souza ou do deputado Rudinho?
Ou do povo?

7.11.05

Pensar, amar, torcer, odiar, refletir, discutir...

Às vezes eu acho que seria tão melhor se eu não fosse capaz de exercer tais ações.

Viver uma vida simples, sem sofrimentos nem alegrias. Viver como uma formiga, escravo da minha própria existência, sem espaços para parar e analisar o homem.

Infelizmente é um fardo que tenho de carregar nessa minha passagem pela Terra. Saber conviver com o fato de ser um ser-pensante e mesmo assim não compreender o mundo, e ser também capaz de aceitar a minha incapacidade de mudar tudo que eu discordo planeta afora.

O sentimento de ignorância e incapacidade perante várias coisas são o que mais fazem um homem sofrer, e volta-e-meia desejar não mais ser possuidor da capacidade que apenas os humanos têm, de pensar.

Ah, como eu queria ser uma formiga!

Crônica do primeiro aniversário

A festa de aniversário de um ano de idade é, sem dúvidas, um dos melhores retratos da imbecilidade humana. Apesar de serem os filhos que fazem anos, parece que os pais organizam a solenidade para eles mesmos. É um momento inesquecível...para os pais, não para os filhos (ou alguém se lembra de como foi a sua?). Enquanto os marmanjos bebem cerveja e jogam conversa fora, o pimpolho não faz a menor idéia de que, desde que foi concebido, o planeta Terra já realizou uma órbita completa ao redor do sol.

Não bastasse o fato de não saber o que está acontecendo, a pobre criança (que, por sinal, é a homenageada do dia) é proibida de desfrutar do que há de melhor no recinto. Ao invés de saborear o refrigerante geladinho, os salgadinhos apetitosos e os docinhos que dão água na boca, o aniversariante tem que tomar leite ou comer a famosa “papinha” que sua mãe lhe dá. Mas o pior ainda está por vir! O nenê, morrendo de sono e incomodado por aquele desconfortável chapéuzinho de festa, é obrigado a ficar horas tirando fotos com todos os convidados, enquanto os adultos bobões regressam à infância fazendo caretas ridículas para tentar pôr um sorriso no rosto do desanimado bebê.

O atentado ao livre-arbítrio infantil, entretanto, não pára por aí. Há sempre aquele cara que dá uma camisa do Flamengo, uma bola do Corinthians, um babador do Cruzeiro ou um boné do Grêmio de presente ao menino. É uma clara tentativa de influenciar na escolha do pequerrucho antes mesmo dele saber e entender o que é futebol.

Bom, eu já tive meu primeiro aniversário e, sinceramente, não faço a menor idéia do que ocorreu no dia em que deixei de ter 364 dias para ter...1 ano (Oh! Que grande transição). Mas tenho certeza que farei belas festas quando meus filhos atingirem essa idade. Não por eles, mas por mim; afinal, eu também sou humano. E ser humano é, antes de tudo, ser egoísta e privilegiar as suas vontades pessoais em detrimento da vontade dos que têm menos poder que você.

Aliás, com o estímulo do individualismo e do consumismo pelo sistema capitalista, a tendência é queas celebrações do primeiro ano de vida sejam cada vez mais constantes e luxuosas, repletas de canapês, croissants e champagnes de primeira qualidade. Portanto, se você fizer uma para seu filho, ou melhor, para você mesmo não se esqueça de me chamar, viu?

6.11.05

Editorial

Como já disse atualizar o blog diariamente é difícil. Até porque os posts acabam perdendo qualidade.

Então pensei em duas possibilidades: atualizar apenas em alguns dias da semana ou aumentar a equipe de postadores. A segunda opção venceu facilmente. A pluralidade de idéias sempre é construtiva. Por isso convidei algumas pessoas que, tendo opiniões parecidas ou diferentes das minhas, considero inteligentes e com um bom grau de análise e reflexão para me ajudar a dar continuidade a esse árduo trabalho.

Portanto, não estranhem se novas caras e opiniões aparecerem por aqui. E queria lembrar que a participação dos leitores do blog é FUNDAMENTAL. Elogie, fale mal, concorde, discorde, corrija, sugira, xingue, GRITE!

5.11.05

Um Bush incomoda muita gente... (o fato)

Em Vitória ocorreu uma manifestação contra a presença do presidente norte-americano George W. Bush na Cúpula das América e sua futura vinda ao Brasil. O protesto foi promovido por sindicatos (Sindibancários, Sindiprev, Sindsaúde e Sintufes), partidos políticos (PSTU e PSOL) e organizações estudantis (Copelutas, Contraponto e Uces) e aconteceu em frente ao Mc Donald's de Jardim da Penha.

Aproximadamente 150 estudantes estiveram presentes no ato e soltaram gritos como "Bush, facista! Você é o terrorista!" e "Brasil, Cuba, Argentina! Fora imperialismo da América Latina! "
A mensagem anti-americana estendeu-se com cartazes, pichações na parede externa da lanchonete e discursos num carro de som.

Além disso, uma megabandeira dos Estados Unidos foi quiemada. Estudantes também tiraram a bandeira do Mc Donald's do mastro e a levaram ao fogo.
Uma das grandes atrações era um manifestante fantasiado de Tio Sam. Depois de interpretar por algum tempo o grande símbolo do "imperialismo ianque", ele terminou tirando sua fantasia e queimando-a também.

Veja as fotos do protesto em Vitória

(Continua...)

Um Bush incomoda muita gente... (reflexão)

Comunistas, anarquistas, punks, ambientalistas, pacifistas, ativistas anti-globalização, militantes do movimento gay ou pró-aborto, ou até niilistas e defensores do livre-comércio. O que essas pessoas, de vários lugares do planeta, podem ter em comum? O repúdio, quando não o ódio, ao governo de George W. Bush.
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A natureza humana parece ter uma grande tendência em criar mitos, simplificar tudo em heróis e vilões, que podem salvar ou destruir tudo.

George W. Bush personifica todo o ódio acumulado durante séculos de atrocidades cometidas em sucessivos governos dos E.U.A que, para garantir seus interesses, intervieram muitas vezes no continente americano. Brincaram conosco como se fôssemos um teatrinho, usando seus fantoches para implantar ditaduras ou defender a democracia, de acordo com o interesse do momento vivido. E a proposta de implantar a Alca parece a muitos mais uma tentativa de nos explorar.

As eleições de diversos governos de esquerda no continente já mostrava que a população não aguenta mais a miséria terceiro-mundista e a espera por melhoras que nunca acontecem. Promessas de que seguindo os conselhos das nações desenvolvidas tudo ficaria bem. A América Latina precisava gritar.
A vinda do presidente estadunidense à Argentina para a Cúpula das Américas parece fazer com que os latino-americanos superem sua afasia e tomem as ruas de grandes cidades em protesto. Soa como um "Sai daqui que da nossa vida quem manda é agente!"

A crítica pela crítica- É muito importante que o povo manifeste seu protesto contra todos os absurdos. Porém, é preciso cuidado para que não sejamos simplórios demais. A crítica pela crítica é perigosa. E burra. Simplifica os problemas e não ajuda a resolvê-los. O ódio a Bush parece uma unanimidade mundial, difundido inclusive pela chamada "indústria cultural". Porém colocar a culpa nele é muito mais fácil do que lutar pra transformar a realidade.

Primeiro, um presidente não governa sozinho. Junto com Bush existe uma grande equipe dos chamados "neoconservadores" e apoio dos grandes empresários (o próprio vice-presidente, Dick Cheney, possui negócios milionários no ramo petrolífero). Além disso, estão legitimados pelo povo de seu país, embora as eleições tenham mostrado que a população norte-americana está dividida.

Pensar que tudo é culpa dos Estados Unidos também é muito restritivo. De fato, são os grandes baluartes do capitalismo. Mas este também se instalou em muitos outros países, embora não tão perfeitamente fixados. O fim da Guerra Fria fez com o sistema capitalista prevalecesse globalmente. O percurso trilhado pela história nos levou até essa situação.

Sociedade global e consumista- Se todos os países possuíssem o consumismo exacerbado da sociedade estadunidense teríamos um grande colapso no meio ambiente e na produção (faltariam produtores). Porém o consumismo não é propriedade dos norte-americanos, e sim um valor propagado pelo sistema capitalista.

Embora os E.U.A sejam a principal potência política, econômica e militar, não são os únicos responsáveis por esse um mundo em que o dinheiro vale mais que o ser humano. A verdade é que vivemos numa era global. As fronteiras de espaço e tempo praticamente inexistem, a cultura vem perdendo sua característica local e se transformando em mundial, as empresas são multinacionais, os Estados são mínimos, as barreiras comercias são rompidas cada vez mais.

Nesse contexto, querer descontar tudo em uma só pessoa ou nação é buscar a forma mais fácil de aliviar sua raiva. Há uma microfísica e uma lógica macabra que sustentam toda a miséria e exploração.

De forma alguma, estou tentando desqualificar os protestos. Muito pelo contrário. Os vejo como muito importantes. Afinal, não se pode protestar contra o nada, já que a partir da análise anterior nota-se que o inimigo é invisível. Mas atento para o cuidado de que não simplifiquemos a luta a um anti-americanismo besta. Como já disse anteriormente: "colocar a culpa em Bush ou nos E.U.A é muito mais fácil do que lutar pra transformar a realidade".

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Mas o governo de Bush e companhia venceu uma eleição suspeita, inventou uma guerra, esnobou o Conselho de Segurança da ONU, ignorou os problemas ambientais, governa para empresários, fornece subsídios aos agricultores americanos enquanto defende o livre-comércio, usa a imprensa pra mentir para a população, defende um moralismo ultrapassado, atacou a liberdade dos americanos, entre outras coisas que o fazem odiado.
Sem maniqueísmos, mas como presidente dos Estados Unidos ele é um grande mal para esta nação e para o mundo. Se reelegeu graças ao medo causado pelos ataques terroristas.

Porém, existe gente que tem muito mais poder que ele: empresários, banqueiros, especuladores. Pode crer.

4.11.05

Vamos patentear o mensalão!!!

Apesar da expressão "mensalão" ter sido cunhada esse ano nas denúncias do deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ), a prática de tal ato de corrupção já ocorria no Espírito Santo desde 1998.

Conquanto ambos os casos envolvam o pagamento de valores em dinheiro a membros do poder Legislativo em troca de apoio político, convém observar algumas distinções.

No escândalo federal, os corruptores estavam ligados as poder Executivo, que buscava apoio na Câmara para aprovar seus projetos. Os comparsas da operação, como o empresário Marcos Valério, recebiam com vultosas quantias em dinheiro. A grana teria sido desviada de órgãos estatais, como os Correios, Furnas e Petrobás, e lavada com ajuda de empresas privadas.

Por aqui as coisas eram ainda mais toscas. O Legislativo comprava o Legislativo. A farra era promovida pelo presidente da Assembléia Legislativa, José Carlos Gratz. Dando dinheiro aos outros deputados, Gratz ganhava apoio para continuar seus desmandos e desvios de dinheiro público. Dessa vez, a verba saía da própria Assembléia com suposto destino a assossiações. A "bufunfa" era depositada na conta dos denunciados ou da empresa Lineart, que a repassava para os beneficiados.

Seja roubar para governar ou roubar pra continuar roubando, se essa prática não for coibida através de fiscalização intensa das verbas públicas e da punição rigorosa dos que valeram-se dela, corremos o risco de que esse neologismo passe a fazer parte dos nossos léxicos.
Dos dicionários da língua brasileira (e não da portuguesa, que num tem nada a ver com nossas falcatruas). Dicionários de um país tropical, abençoado por Deus e corrupto por natureza. Que beleza! Ou que tristeza?

3.11.05

Espírito Santo: corrupção ruminante

Corrupção na Assembléia Legislativa do Espírto Santo!
Mensalão! Oh! Será que voltamos aos velhos tempos?
Não, calma. São denúncias ainda da 'era Gratz'. Envolvem a famigerada 'empresa' Lineart, usada para lavar dinheiro dos cofres públicos.

Trata-se de um esquema de 'mensalão' pago a cinco deputados e oito ex-deputados estaduais entre 1998 e 2002. O rombo beira a casa dos R$27 milhões.

Estamos ruminando a corrupção de tempos atrás, que volta para que a mastiguemos novamente e, finalmente, possamos triturá-la.

Cassação- Cinco deputados da atual legislatura correm risco de ter seus mandatos cassados: José Tasso, Zé Ramos e Gilson Gomes ( os três do PFL), Fátima Couzzi (PTB) e Rudinho de Souza (PSDB).

A colunista Andréia Lopes afirma no artigo de hoje em A Gazeta que a corregedoria sinaliza que não cederá às pressões da 'operação abafa'. O andamento depende do relatório que a Receita Federal deverá enviar à Assembléia. Passando pela corregedoria e pela Comissão de Justiça os processos de cassação iriam para o plenário para serem votados individualmente.
A votação seria secreta e a perda do cargo se concretizaria mediante aprovação de pelo menos 16 deputados. É importante que a sociedade capixaba se mobilize e pressione pela punição, caso comprovada a culpa dos acusados.

Paulo Hartung- A maior parte dos acusados faz parte da base aliada do governador na Assembléia Legislativa. Espera-se um posicionamento claro de Hartung (PMDB), visto que soa estranho um governo que tem como bandeira a reconstrução moral do estado forjar-se numa base parlamentar corrupta.

E a grana???
Tudo que se fala na mídia é sobre a cassação dos deputados atuais. Mas será que só cabe processos como o de quebra de decoro parlamentar? Rudinho, por exemplo, nem era deputado em 1999. O crime é muito pior, gente! Desvio de dinheiro público!

Será que só a cassação já basta??? E os acusados que não exercem cargos públicos? Nenhuma punição a eles???

Corrupção é crime!!! E dos piores.É um assalto a TODOS os cidadãos. Se comprovadas as denúncias, essa galera toda tem que ser mandada pro chilindró!!!
E tem que devolver a grana!!!

Vamos pressionar. Ou será que cidadania é só votar?

1.11.05

Pacto pela Paz

Estive hoje na palestra do projeto Pacto pela Paz, parceria entre a Rede Gazeta e a Assembléia Legislativa do Espírito Santo.
O tema em debate era "Imprensa e Violência". A mesa, coordenada pelo deputado estadual Cláudio Vereza (PT), contou com as presenças de Guilherme Canela (coordenador de Relações Acadêmicas da Agência de Notícias dos Direitos da Infância- Andi ), José Antônio Martinuzzo (professor de Comunicação da Ufes) e André Junqueira (jornalista da TV Gazeta).


Canela abriu o debate ressaltanto a importância do evento e parabenizando a Rede Gazeta pela iniciativa, pois a mídia tem uma grande dificuldade de auto-crítica. Apresentando dados de pesquisas, ele mostrou que a cobertura da violência é extremamente fatual, sem preocupação em refletir e apontar as causas nem as possíveis soluções para o problema. Enfatizou que não falta espaço nos jornais e sim aprofundamento do debate acerca da violência.

A pesquisa Balas Perdidas, da Andi, aponta que 80% das matérias são constituídas a partir de boletins de ocorrência da polícia. Isso demonstra que os jornalistas focalizam no crime individualmente, na descrição do acontecimento. Na maioria das vezes a principal fonte, quando não a única, é a polícia. Canela ressaltou a necessidade de amplificar a discussão através da maior pluralidade de fontes, ouvindo acadêmicos, líderes comunitários, membros do poder público, etc.

André Junqueira frisou a responsabilidade do jornalista de trabalhar para o cidadão. Destacou a cobertura e a denúncia de casos de corrupção como fundamentais, pois evitam que sejam desviadas verbas que poderiam ser investidas não só no combate à violência como em outras políticas públicas.

O professor José Antônio Martinuzzo iniciou sua fala dizendo a mídia exerce papel fundamental na sociedade contemporânea, pois é a base de percepção do real. Também salientou a necessidade de complexificar o debate, levantando alguns questionamentos.

Segundo ele, a contextualização não faz parte da cultura do jornalismo. Mas não se pode culpar a mídia pela era de crimes e medo em que vivemos. Se a imprensa noticia tanto é porque realmente existe violência. Martinuzzo deixou claro também que a mídia não é a grande salvadora que vai resolver o problema. A superação desse caos social vai muito além de um bom trabalho jornalístico.

O professor afirmou que o ser humano traz em si um viés de violência, de concorrência, acirrados pela época em que vivemos. Disse que a explosão da criminalidade está ligada ao modelo de sociedade vigente. E que a sociedade é uma construção do homem. A violência também.

A culpa é sua, a culpa é minha, a culpa é deles, a culpa é nossa!

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Jabá: meu artigo no Observatório da Imprensa

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