29.11.06

Eis-me aqui uma outra vez e só

Filete de alma (o homem pós-moderno)

Jazo sedento e frio. Trágico. Incapaz de escrever página sequer a respeito de coisa alguma que me caiba e sustente nesta fina tessitura de vida. Inválido. Peremptório. Pergunto se haverá relva? Se haverá aurora? (devo? A quem?) Assisto à decrepitude. Ao embotamento progressivo do espírito. Meus e alheios. Oh céus, posto que seja treva, haverá luz? Em vistas, pois, somente brumas. Somente o caos!

26.11.06

Bye bye!

Olá!
Dia 8 de dezembro estarei indo para os Estados Unidos. Trabalhar por 4 meses. Abandono esse blog por essa data. Pretendo voltar em abril próximo. Estarei atualizando diretamente dos EUA no meu novo blog, que não tem o mesmo caráter que o Grito Sufocado, é bem pessoal, subjetivo, como o próprio nome já sugere: www.vitortaveira.wordpress.com

Confiram as estripulias de um socialista na terra do Tio Sam...rsrsrs

Saudações aos camaradas leitores!

11.11.06

Leitura, quebra de promessa e novo adeus (ou até logo)

Ler...

Ler livros faz de mim menos incompleto. É álibi para a timidez de meus gestos; concertando-os. Disfarça a estupidez cotidiana. Torna a tudo menos gratuito; menos descartável; reciclável. Acende a luz da razão no negrume das incertezas constantes; afastando-o.

Ler livros faz hoje de mim melhor do que fui ontem.

................

Humm... Pois foi. Não resisti. Quebrei a promessa de não mais postar no "grito". O fiz sem o pesar dos pecadores (rsrs). Por vaidade. O fiz por saudade de compartilhar algumas palavras com vocês. E reitero a promessa de não retornar desconhecendo o porvir das circunstâncias que podem me trazer aqui novamente.

Abraço a todos.

Fui!

Sonhos em Cacos

Ao entrar na universidade descobrimos que C.A não é só o nome uma das turmas que passamos durante o jardim de infância. C.A. é superior. Ensino superior. C.A. é Centro Acadêmico. Significa justamente o fim da infância e ingresso numa nova fase. Ao invés de crianças e ‘tias’, o C.A torna-se lugar de jovens. E de sonhos. De jovens senhores de si mesmos, sem ‘tia’, pai, mãe ou professor. Lugar de ter voz ativa, pra no nosso destino mandar!

Fazer Comunicação Social na Ufes significa ter como primeira referência o Centro Acadêmico - o Cacos. A princípio, é de grande satisfação ver os próprios estudantes se organizando para lhe receber nessa nova fase da vida. À segunda vista, vêm as críticas: não há pluralidade de pensamentos, só participa quem está alinhado com a direção, há uma ‘espiral do silêncio’- como diz a teoria da comunicação- que faz com que as vozes mais frágeis se calem. Dessa forma, a participação no espaço acaba sendo menor do que poderia, o C.A. deveria representar TODOS os estudantes e blá blá blá. A partir daí uma névoa lhe separa do espaço que você havia achado tão legal e importante. Até aí todo mundo vai. Mas o terceiro passo só é dado por alguns. Para dar esse passo adiante e vencer a névoa é preciso ter no coração uma certeza mais forte que as da sua mente. Fechar os olhos, preparar as pernas, tomar coragem e correr rumo ao estranho. Talvez você pegue tanto impulso visando a derrubar a porta e chegar fazendo barulho. Mas muitas vezes a porta estava aberta e a neblina não lhe deixou ver. É o seu primeiro tombo. Um tombo moral.

Espírito Santo conectando saberes

Não era mais um seminário como qualquer outro. Algo diferente permeava os ares do alojamento improvisado nas quadras do Centro de Educação Física e Desportos da UFRJ, localizado lá pelos cantos da capital fluminense, onde a cidade nem é tão maravilhosa assim. Para chegar à Ilha do Fundão era preciso atravessar a famigerada Linha Vermelha, na qual o pessoal que vinha no ônibus da frente viu dois homens fortemente armados cruzar a pista na maior tranqüilidade, como se tudo aquilo fosse normal. E talvez seja normal mesmo, pelo menos no Rio de Janeiro. Depois de umas 8 horas de viagem chegamos ao local. A maioria, sem conhecer a cidade, perguntou inocentemente onde estávamos... Será que era perto do Cristo, do Bondinho, do Maracanã? O simpático carioca não fez cerimônia pra estragar a euforia dos capixabas: “Estamos perto da Faixa de Gaza”. O recado foi imediatamente entendido.

(Continua...)

10.11.06

Sobre a publicidade

"'O sucesso já não é mais a publicidade trabalhando para o mercado, mas o mercado triunfante trabalhando para a publicidade. Mais exatamente, o mercado funciona como suporte à publicidade, porque esta informa sob uma vasta paisagem a ser conhecida e conquistada' (DANEY, Libération, 01/10/91)

Mais precisamente ainda: a publicidade não serve somente para informar sobre o mercado, mas para constituí-lo. Entra em relação "interativa" com o consumidor, voltando-se não só às suas necessidades, mas sobretudo aos seus desejos. Não se volta somente às suas paixões e às suas emoções, mas interpela diretamente a razão 'política'. Não produz somente o consumidor, mas 'o indivíduo' do capitalismo imaterial. Dialoga com as convicções, os seus valores, as suas opiniões, tem a coragem de interpelá-lo lá onde a a política tem medo de entrar. Atualmente a publicidade é uma das formas mais importantes de comunicação social. Ela, enquanto tal, ocupa sempre mais o 'espaço público'; anima-o, provoca-o, sacode-o. É a empresa que diretamente produz o 'sentido' A distinção entre cidadão e consumidor pertence a uma outra época, e a publicidade da Benetton faz escândalo porque nos diz que entramos na era dos bens imateriais, 'psi', 'espirituais', que derrubam as fronteiras entre o econômico e o político. As análises da publicidade que nos forneceram Roland Barthes ou Umberto Eco, fundadas sobre a retórica, já estão definitivamente ultrapassadas"

(...) é necessário sublinhar que aos consumidores-cidadãos é solicitado um verdadeiro 'trabalho', pois a ação do consumidor (os seus desejos e valores) se integradiretamente, como momento criativo, no interior da rede social da empresa. Os fluxos de desejo são diretamente convocados, verificados, estimulados pela comunicação da empresa pós-fordista. O marketing mostra aqui sua verdaeira natureza: constrói o produto e solicita formas de subjetivação. O consumidor não é mais consumidor-massa passivo de uma mercadoria padronizada, mas o indivíduo ativo envolvido com a totalidade de sua pessoa. Para este fim é necessário 'conhecer' e solicitar sua ideologia, seu estilo de vida, sua concepção de mundo."

Extraído do artigo "Estratégias do empreendedor político", contido no livro "Trabalho imaterial- formas de vida e produção de subjetividade" de Antonio Negri e Maurizio Lazzarato

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