30.7.06

O dia em que a negritude do ser humano venceu a brancura do papel

Saindo de madrugada e envolto numa conversa agradável com o colega sentado ao lado, praticamente não dormi. Após rápido cochilo, acordei. Despertava o alvorecer quando estávamos prestes a chegar. O sol se expandia maravilhosamente em cores vivas ao horizonte, desviando-se diante dos eucaliptos fincados à terra. Ainda que fosse princípio de manhã ele ardia como chama. Chama. Parecia realmente me chamar àquela luta. Soava como um prelúdio do que estava por vir ao longo do dia. As malditas árvores não mais impediriam o contato direto com a grandiosidade da natureza e do homem.

Vento na cara, fiquei observando o redor da estrada. Verde. Imensamente verde. Deserto, totalmente deserto. Deserto verte. Era ele mesmo que combatíamos, um dos motivos de irmos até lá. Fitei-o por longo tempo, ora olhando entre as frestas e procurando o que se escondia além do horizonte delineado por árvores caprichosamente paralelas e lineares, ora raivoso por me sentir sufocado em meio aquela uniformidade toda. Como dói aos olhos tropicais assitir ao domínio da natureza formatada. E saber que um dia aquilo tudo foi de uma incrível exuberância. Ah, mas nostalgia é conforto dos fracos. As lágrimas não secam enquanto não se lute por isso. Esse era o nosso propósito. Ver o passado revivido sob novos personagens, com a força dos que já se foram refletida e multiplicada no olhar de cada um que hoje estaria munido de coragem.

Se me sentia sufocado durante longos quilômetros daquela viagem, imaginem o que sentiriam os que vivem essa sensação diariamente, todo ano, a vida inteira. Quando parou o ônibus, a primeira vista não poderia ser mais espantosa e angustiante. Esta ali, encravada entre uma mar de eucaliptos a comunidade quilombola. Demarcando o campo de futebol não havia marcas de cal e sim a fronteira com aquelas árvores.

Café, leite, batata-doce e mandioca enchiam as barrigas e sustentavam os sonhos no início daquela manhã especial. Aos poucos o movimento foi crescendo: quilombolas de diversas comunidades, índios, estudantes, sem-terra, pequenos agricultores, todos unidos naquele clima de confraternização. O tempo seguia lento como sempre é na roça, a hora parecia não passar, se arrastando entre papos empolgados e prolongados e a total falta de assunto que sempre tentamos vencer com alguma fala banal.

Até que quando começava a me acostumar com aquilo veio o chamado. Era a hora da ação. Partimos depois de uma pequena mostra da cultura daquele povo. No caminhos as emoções se misturavam. A euforia de ver aquele povo unido e obstinado, cantando por liberdade e dignidade. E novamente a agonia daquela prisão ao ar livre cujas grades rígidas e paralelas não eram feitas de aço, mas de árvores.

Chegando ao local, as vozes negras enalteciam a importância e significado daquilo tudo. Ali era o cemitério dos escravos, onde eram enterrados aqueles que fugiam dos grilhões. Ali estava soterrada a liberdade. Era hora de ressucitá-la, gritá-la, cerebrá-la!

Dessa vez a história se inverteu. Os frágeis eucaliptos não eram páreos para nossa força. Com incrível vigor e rapidez as árvores plantadas eram derrubadas e tomadas sob a bênção dos espíritos que ali jaziam. Nos olhos carregados de vivacidade novamente sentimentos misturados na intensidade absurda do prazer impagável de matar quem te matava, de esganar quem te sufocava.

Vencido o desafio, era hora de comemorar. Ali mesmo no terreno reconquistado, cantar, dançar, integrar. Era preciso também, ainda que simbolicamente, retribuir. E foram plantadas mudas de árvores nativas para que pudessem crescer de novo juntamente com o povo que se reerguia naquele local.

O sol não dava trégua e a fome apertava. Diante do cansaço, o caminho na volta parecia muito mais longo que na ida. Terminado o retorno, o conforto da sombra e a saciedade do almoço farto e saboroso, temperado com a simplicidade daquela gente. Barriga cheia, braços cansados. Sorrisos vitoriosos. Vitória que não significava comodidade, sensação de missão cumprida. Era apenas o começo de uma longa batalha. E, cientes disso, os quilombolas se reuniram. Claro que não cabia a nós interferir no rumo do que eles mesmos criaram. Mas acompanhei-os tomado de grande paz interior.

Aos poucos, o cansaço da noite mal-dormida e do dia intenso foi me vencendo. Apesar do desconforto, tive um bom sono, relaxado, durante a viagem de volta. Adormecido, não tive o sofrimento prolongado de ver passar aquele deserto que tenta cinicamente se disfarçar floresta. Acordado, tive a certeza de que aquilo tudo não foi só um belo sonho.
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Veja as FOTOS

28.7.06

Jornais venezuelanos e as duas faces da mesma moeda

Navegando pelo site Today's Front Pages (que como o próprio nome já diz, mostra a capa diária dos principais jornais do mundo) não podia deixar dar uma passada pela Venezuela. E vejam só.

Na capa do jornal El Universal o destaque é para o contrato militar de 3 milhões assinado entre Rússia e Venezuela. No alto, em letras menores, o jornal acrescenta que os presidentes dos dois países também discutiram temas relacionado ao petróleo e à tecnologia. O outro jornal do país com capa disponível no site, Últimas Noticias, dá um enfoque diferente. Anuncia um acordo de exploração do petróleo da venezuelano pelos russos e a declaração de apoio de Putin à Venezuela na ONU.
O El Universal, assim como todas as redes de televisão e 9 dos 10 principais impressos venezuelanos, faz oposição ao presidente desde sua eleição. Já o Últimas Noticias, simpático ao atual governo, foi o único grande jornal a noticiar o retorno de Chavéz ao poder após a tentativa de golpe militar em 2002.

É o jogo da mídia. Uma moeda tem dois lados. Mostra-se o que for mais conveniente.

* Leia também Venezuela: os laboratórios da mentira, de Maurice Lemoine

27.7.06

URGENTE: Aracruz Celulose tenta "comprar" comunidade acadêmica!!!

Férias. Hora de voltar pra casa, rever a família, descansar, renovar as energias pra nova jornada que está por vir, aproveitar o período de morosidade de estudantes e professores para aprovar projetos sem nenhuma discussão... opa! Peraí...
É isso mesmo. Mais uma vez o período de recesso é utilizado por aproveitadores pra suplantar o debate tão necessário para o sistema democrático.

Quem apronta é novamente a Aracruz Celulose- inimiga número um do movimento estudantil capixaba- que mais uma vez tenta defender seus interesses travestindo-se através do bom-mocismo da responsabilidade social. Um acordo costurado em sigilo com a reitoria e com diretores dos centros de ensino da Ufes está com data de votação no Conselho Universitário marcada para dia 10 de agosto, primeira semana depois do recesso. Sem haver tempo para a realização de um debate sério acerca da proposta.

O acordo prevê um investimento de 250 mil reais para pesquisas, que segundo documento escrito por professores e militantes caberia à Aracruz Celulose dar a palavra final sobre quais projetos seriam financiados. Além disso, o manifesto alerta sobre o atrelamento da imagem da Universidade com uma empresa que tem um longo histórico de desrespeitos a comunidades tradicionais do Espírito Santo.

Porém, houve resistência por parte de professores do Centro de Ciências Humanas e Naturais (CCHN), justamente o alvo principal a ser conquistado pela Aracruz. Isso porque é de lá que estão saindo pesquisas de reconhecimento dos territórios de ocupação histórica dos quilombolas do norte do estado que hoje estão sob posse da empresa, além de graves denúncias de destruição ambiental por parte da multinacional.

Estudantes, professores e militantes já estão se articulando para fazer muito barulho no retorno às aulas e informar a comunidade acadêmica sobre esse acordo feito na surdina.

*O manifesto alerta que levando-se em conta o investimento de R$ 250 mil e os 10 mil alunos e mil professores da Universidade, chega-se a um preço de R$25 por aluno ou R$250 por professor. É isso que valemos? Eu declaro desde já que não estou à venda.

*É no mínimo curioso observar a demora na definição do sistema de cotas, que já vinha sendo estudado há dois anos e a rapidez no processo de votação de um acordo de financiamento privado de pesquisas científicas, o que pode comprometer na autonomia da Universidade.

*Leia também a matéria do Século Diário

25.7.06

"Toda relação de dominação, de exploração, de opressão já é, em si, violenta. Não importa que se faça através de meios drásticos ou não. É a um tempo desamor e óbice ao amor. Óbice ao amor na medida em que dominador e dominado, desumanizando-se o primeiro, por excesso, o segundo, por falta de poder, se fazem coisas. E coisas não se amam. De modo geral, porém, quando o oprimido legitimamente se levanta contra o opressor, em quem identifica a opressão, é a êle que se chama de de violento, de bárbaro, de desumano, de frio. É que, entre os incontáveis direitos que se admite a si consciência dominadora tem mais êstes: o de definir violência. Não será a si própria que chamará de vilolenta. Na verdade, a violência do oprimido, ademais de ser mera resposta em que se revela o intento de recuperar sua humanidade, é, no fundo, ainda, a lição que recebeu do opressor. Com êle, desde cedo, como salienta Fanon, é que o oprimido aprende a torturar. Com uma sutil diferença neste aprendizado- o opressor aprende a torturar, torturando o oprimido. O oprimido, sendo torturado pelo opressor."

(Extraído de "Educação Como Prática da Liberdade", de Paulo Freire)

Jornalismo "Independent"

O jornal britânico The Independent fez uma ótima capa sobre a guerra no Líbano.
Mostrando os países que são à favor de um cessar-fogo imediato, e os que são contra (Israel, Inglaterra, e EUA).



*Post roubado do Viva La Revolución!, que por sua vez achou a figura no Jacaré Banguela

A verdade vos libertará: Israel, Líbano, Síria, Hizbollah, Irã e o 22 de Agosto


Escrito por: Brigitte Gabriel - Fundação Libanesa Pela Paz. Tradução: Ivan Kelner

Pelos milhões de Cristãos Libaneses, expulsos de nossa terra natal, "Obrigado Israel", é o sentimento que ecoa por todo o mundo. A Fundação Libanesa pela Paz, um grupo internacional de Libaneses Cristãos, fez a seguinte declaração numa matéria liberada pela imprensa para o Primeiro Ministro Israeli Ehud Olmert a respeito dos últimos ataques Israelis contra o Hezbolah:
"Nós ansiamos que vocês os ataquem com força e destruam sua infra-estrutura de terror. Não é (apenas) Israel que se beneficia com esta situação, mas a maioria dos Libaneses silenciosos no Líbano que está farto do Hezbolah e não têm poder para fazer nada por conta do medo da retaliação do terror".
"Em favor de milhares de Libaneses nós pedimos que abram as portas do Aeroporto Ben Gurion em Tel Aviv para estes milhares de voluntários na Diáspora desejosos de pegar em armas e de liberar sua terra natal do fundamentalismo (Islâmico). Nós lhe pedimos que apóiem, facilitem e nos comandem para que possamos vencer esta batalha e para juntos conseguirmos o mesmo objetivo: Paz e Segurança para Líbano e Israel e para nossas futuras gerações".
Os Libaneses Cristãos dominados, outrora responsáveis por dar ao mundo "a Paris do Oriente Médio" como o Líbano era conhecido, têm sido mortos, massacrados, expulsos de suas casas e espalhados pelo mundo desde que o Islã radical declarou sua guerra santa nos anos 70 e tomou o controle do país. Eles expressam a opinião de que eles e Israel têm aprendido de suas experiências pessoais, as quais tardiamente agora estão sendo descobertas pelo resto do mundo. Enquanto o mundo protegia a saída da OLP do Líbano em 1983 com Israel ainda curando suas feridas, uma outra organização ideológica, mais violenta ainda, estava nascendo: o Hezbolah, "o Partido de Deus", fundado pelo Aiatolah Khomeini e financiado pelo Irã. Foi o Hezbolah que explodiu os quartéis da Marinha Americana no Líbano em outubro de 1983, matando 241 Americanos e 67 pára-quedistas Franceses naquele mesmo dia. O Presidente Reagan ordenou a retirada das unidades das Forças Multilaterais dos EUA, o arquivamento do massacre de seus soldados e o fim do envolvimento dos Estados Unidos no Líbano em Fevereiro de 1984.
O mundo civilizado que erroneamente difamava Cristãos e Israel à época e que continua a difamar Israel agora, não estava prestando atenção. Enquanto a América e o resto do mundo se preocupavam com o problema Israeli / OLP, os regimes terroristas na Síria e no Irã inflamavam o radicalismo Islâmico no Líbano e pelo mundo. Os extremistas xiitas do Hezbolah começaram a se multiplicar proverbialmente como coelhos extinguindo os moderados Sunitas e Cristãos. Vinte e cinco anos depois eles estimularam bastante gente a ponto de se elegerem para 24 assentos no parlamento Libanês. Desde a retirada Israeli em 2000, o Líbano se tornou uma base terrorista completamente governada e controlada pela Síria com seu presidente Libanês Lahood como uma marionete Libanesa e o Hezbolah "um estado dentro de um estado".
O exército Libanês tem menos de 10,000 tropas militares. O Hezbolah tem mais de 4,000 milícias treinadas e há aproximadamente 700 Iranianos das Guardas Revolucionárias no sul do Líbano e no Vale de Bekaa. Então por que o exército não pode fazer o seu trabalho? Porque a maioria de Muçulmanos Libaneses que compõem o exército se dividiria e se uniria religiosamente com as linhas das forças Islâmicas, igual ao que aconteceu em 1976 no começo da guerra civil Libanesa. Tudo está esquentando para uma guerra da ideologia da Jihad Islâmica contra o Ocidentalismo Judeu Cristão. Muçulmanos que são agora a maioria da população do Líbano, apóiam o Hezbolah porque eles são parte da Ummah (a nação) Islâmica. Este é um assunto tabu que todo o mundo está tentando evitar.
Os mais recentes ataques a Israel foram orquestrados pelo Irã e pela Síria, impulsionados por dois interesses diferentes. A Síria considera o Líbano uma parte da "grande" Síria. O jovem Presidente Sírio Assad e seus adeptos da inteligência militar Ba'athista em Damasco estão usando esta mais recente erupção de violência para provar aos libaneses que eles precisam da presença Síria para os proteger da agressão Israeli e para estabilizar o país. O Irã está usando convenientemente seu exército de bonecos libanês do Hezbolah, para distrair a atenção de líderes mundiais que estão no encontro do G-8 em St. Petersburgo, de sua ambição por armas nucleares. O apocalíptico Presidente Iraniano Ahmadinejad e os clérigos governantes Mullahs em Tehran querem reivindicar hegemonia no mundo Islâmico sob a bandeira da loucura da Shia Mahdista. Ahmadinejad quer autenticar seu lugar como o maior Jihadista por Alá pelo cumprimento de sua promessa de "varrer Israel do mapa".
Não importa o quanto o Ocidente evite encarar a realidade do extremismo Islâmico do Oriente Médio, o Ocidente não pode se esconder do fato de que o mesmo Hamas e Hezbolah contra quem Israel está lutando lá, são da mesma ideologia Islâmica radical que tem fomentado massacres e mortes através do terrorismo contra os quais a América e o mundo estão lutando. Este é o mesmo Hezbolah que o Irã está ameaçando soltar na América com ataques suicidas se a América tentar parar o Irã de desenvolver armas nucleares. Eles têm células em mais de 10 cidades nos Estados Unidos. O Hamas, tem a maior infra-estrutura terrorista em solo Americano. Isto é o que acontece quando você fica cego ao mal durante décadas, esperando que ele simplesmente desapareça.
O Xeique Nasrallah, chefe do Hezbolah, é um agente Iraniano. Ele não é um ator emancipado neste jogo. Ele está envolvido com o terrorismo por mais de 25 anos. O Irã com sua visão Islâmica para um Oriente Médio Shia, tem agora seus agentes, tropas e dinheiro em Gaza, nos territórios palestinos, no Líbano, na Síria, e no Iraque.
Por trás disto está esta visão que guia o Presidente Iraniano Ahmadinejad que acredita ser um "instrumento e um facilitador" de Alá trazendo o fim do mundo como nós o conhecemos e o conduzindo para a era do Mahdi. Ele tem uma convicção messiânica cega na tradição xiita dos 12 salvadores Islâmicos "escondidos" que emergirão de um poço na cidade santa de Qum no Irã depois do caos global, catástrofes e mortes em massa para estabelecer a era da Justiça Islâmica e paz perpétua.
O Presidente Ahmadinejad até aqui tem se recusado a responder as propostas do EUA, UE, Rússia e China no Conselho de Segurança da ONU para cessar a inflexível busca do Irã pelo enriquecimento nuclear e pelo programa de desenvolvimento de armas até o dia 22 de agosto. Por que 22 de agosto? Porque 22 de agosto coincide com a data Islâmica de Rajab 28, o dia em que o grande Salah El-Din conquistou Jerusalém.
A ideologia dos extremistas de Ahmadinejad de provocar um Armageddon dá grandes preocupações à comunidade inteligente. Neste momento o mundo civilizado tem que se unir na luta contra os mesmos inimigos que flagelam Israel e o mundo com o terrorismo. Nós precisamos parar de analisar as diferenças dos inimigos como Sunni-Hamas ou Xiita-Hezbolah, e começar a compreender que seus laços comuns em suas lutas contra nós é o Islã radical.

Fonte: Blog Argumento e Prosa
Crédito: Blog Leite de Pato

23.7.06

Só de Sacanagem...



Em homenagem a Billie Wonder, do blog Viva La Revolución.

22.7.06

Quando se trata de Israel


uma crónica de Francisco José Viegas*

Quando se trata de Médio Oriente, ou seja, quando se trata de atacar Israel, a tarefa está facilitada em larga escala. Um contingente de meninas idiotas e genericamente ignorantes, que assina peças de “internacional” nas nossas televisões, não se tem cansado de falar na “agressão israelita” e apenas por pudor, acredito, não tem valorizado os “heróis do Hezbollah". Infelizmente, nem a ignorância paga imposto nem o seu atrevimento costuma ser punido.
Isolado desde 1947, quando as Nações Unidas decidiram pela criação de dois estados na região (um israelita, outro árabe) Israel não enfrenta apenas a provocação deliberada ou pontual do Hamas e do Hezbollah. Essa provocação tem sido permanente e é ela a razão de não existir na região um estado palestiniano livre e democrático - não o quiseram, primeiro, os estados árabes da região que invadiram Israel mal a sua independência foi pronunciada; não o quiseram, depois, os estados que tutelaram os actuais territórios da Faixa de Gaza e da Cisjordânia; não o quis, depois, todo o conjunto de organizações militares terroristas nascidas à sombra da OLP e da figura tutelar de Yasser Arafat, a quem cabem historicamente responsabilidades directas na falência dessa tentativa de criar um estado palestiniano.
Quando se trata de Médio Oriente, ou seja, quando se trata de atacar Israel, a tarefa não está apenas facilitada - os caminhos abrem-se para o lugar-comum, como se vê pelas declarações, tiradas a papel químico, de Chirac e de Zapatero, esses dois superlativos génios da política externa europeia. Não passou pelas suas cabeças, uma única vez, pedir responsabilidades ao Hezbollah e ao Hamas pelos motivos que levaram a esta reacção de Israel. Para ambos é, pois, normal que um governo do Hamas possa alimentar uma facção militar independente, que actua em guerra permanente com Israel; é também normal que um estado da região, o Líbano, possa albergar campos militares do Hezbollah, abastecidos pela Síria e pelo Irão, e destinados a atacar um estado soberano - que, além do mais, é o único estado democrático da região; e é para eles normal que Síria e Irão, além de abastecerem duas organizações militares terroristas, se regozijem abertamente com o rapto de soldados israelitas.
A preocupação destes diplomatas da recessão é, fundamentalmente, com a “reacção de Israel"; em seu entender, a reacção ideal de Israel seria o silêncio total; Israel devia conformar-se com o seu destino e permanecer como o alvo de todo o terrorismo da região, pacientemente alimentado, aliás, pelos europeus que continuam a manifestar “ampla compreensão” pela atitude dos bombistas suicidas e pelos que disparam rockets a partir de Gaza ou do Vale de Bekkah; Israel deveria, pura e simplesmente, acatar.
Evidentemente que nenhum desses cavalheiros pensou pedir ao Hamas, partido vencedor nas eleições dos territórios, eventuais responsabilidades na escalada de violência na região. É para eles natural que o governo do Hamas não reconheça o estado de Israel e esteja a alimentar, com toda a clareza, as facções militares que continuam, naquele folclore infantil de danças e gritos pelas ruas de Gaza, a pedir a eliminação de Israel e a vinda de mísseis iranianos para “destruir o estado sionista". Esse folclore imbecil, sim, talvez os devesse preocupar ele é também pago com contribuições da União Europeia e do seu politicamente correcto.”

*Crónica publicada no Jornal de Notícias

Crédito: Blog Rua da Judiaria

21.7.06

Frase do dia

Raul Jungmann (PPS-PE) preside a CPI das sanguessugas que investiga envolvimento de mais de uma centena de deputados federais em esquemas ilícitos de compra e venda de ambulâncias.

Numa das suas recentes viagens aéreas foi perguntado por uma comissária de bordo se seria ele um deputado. Ao que respondeu de pronto:

- "Sou deputado. Mas juro que sou inocente.".

Fonte: Blog do Noblat

20.7.06

Diploma de jornalismo? Vão ler Fernão Capelo Gaivota e parem de encher o nosso saco. E um recado para Tarso Genro



Por Reinaldo Azevedo:

Ai, ai, o governo ainda está dividido sobre o que fazer com o projeto que amplia de 11 para 23 as atividades profissionais que seriam privativas de jornalistas com “deproma”. A proposta original é do deputado Pastor Amarildo, do valente PSC do Tocantins. A proposta que obrigaria Tostão a voltar a jogar bola tem o patrocínio da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) — que é, na prática, um braço do PT. Amarildo está na lista dos acusados de sanguessuguismo.
Lula não estaria querendo comprar briga, informam os governistas, nem com os patrões da comunicação nem com os trabalhadores. A falácia já está nessa oposição. A lei, como é hoje, não é nem prejudicial nem benéfica aos patrões. Ou, para ser mais preciso: é prejudicial ao jornalismo a exigência de diploma, seja lá para que atividade for. E os “trabalhadores”, exceção feita à Fenaj (que, enquanto tal, não trabalha), são contra. Porra! Para presidir um país, o sujeito não precisa de certificado — e é bom que assim seja —, mas tem de ter um para escrever um parágrafo?
Ainda que Lula ameace a nossa segurança como nação — e eu acho que ameaça —, o malefício de excluí-lo do jogo político por falta de formação intelectual seria maior do que o de incluí-lo. Um diploma para engenheiro representa alguma garantia — não toda — de que o edifício não desabe ou de que a ponte não caia sobre a nossa cabeça. Um diploma para médico representa alguma garantia, mas não a certeza, de que ele não vai nos arrancar o estômago fazendo uma cirurgia de catarata.
Há profissões que põem a segurança dos indivíduos e da sociedade em risco. A principal ameaça contra os leitores, no jornalismo, é a burrice, aquela sistematicamente ensinada nas escolas que oferecem formação específica. Sim, eu tenho “deproma”. Sei o que estou falando. Gostem ou não do que escrevo, não foi lá que aprendi. Os caras falharam até na doutrinação.
Tão logo se saiba o mal que acomete o vice-presidente José Alencar, quem poderá fornecer mais luzes ao leitor: eu, que nada entendo de medicina, ou um médico que saiba escrever? O grande flagelo do jornalismo na era do diploma, com todo respeito, é a ignorância. A culpa não é do dito-cujo. Há jornalistas idiotas com e sem canudo. Logo, não é ele que faz a diferença. Argumentar que se está protegendo a profissão é uma sandice. Protegendo do quê?
Um médico que queira ser jornalista estará certamente perdendo dinheiro. O mesmo vale para advogados, arquitetos, dentistas... A Fenaj não quer é abrir mão do aparelho que domina, isto sim. Um recado ao ministro Tarso Genro, que sei que me lê, e à ministra Dilma Roussef (ela eu não sei): a única chance de Lula perder algum voto é aprovando essa estrovenga. Deve haver uma única exigência para o exercício do jornalismo: o sujeito ser alfabetizado. Do resto, a Lei de Imprensa e o Código Penal dão conta.

EM TEMPO: um novo cretinismo está na praça. Seria útil, dizem, que os professores de jornalismo fossem, obrigatoriamente, jornalistas. Outra idiotice caso se mantenha o curso — que pode ser útil (mas não como é hoje). Uma faculdade de Medicina teria coragem de dispensar um grande especialista em bioquímica porque ele não é médico? Um oftalmologista deveria ser proibido de ter aula com um grande físico? Um arquiteto só poderia ter aula de história da arte ministrada por outro arquiteto?
O que é “ser” jornalista? É atuar ativamente numa redação ou ter o diploma? Um jornalista da ativa que fosse também professor e pedisse demissão ou fosse demitido de um jornal ou revista deveria ser dispensado pela faculdade também? Quer dizer que, em vez de se eliminar, vai-se ampliar o cartório. Por que essa gente não enfia a cara num livro - nem que seja Fernão Capelo Gaivota — em vez de encher o nosso saco?

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O outro lado

Senhor das Armas e Conselho de Segurança da Onu

Aproveitando a deixa do blog Viva La Revolución! queria reiterar a dica de assistir o filme Senhor das Armas, já disponível nas locadoras. A história é de um homem que enriquece como traficante de armas, alimentando diversas guerras, a maioria delas na África.

No fim, a conclusão de que além de algumas pessoas que ganham dinheiro com o comércio ilegal de armas, os cinco maiores vendedores de armamentos são cinco países membros permanetes do Conselho de Segurança da Onu. Conselho de Segurança? Ou de Insegurança? Ou Conselho de Guerra?

Não custa lembrar que os EUA levaram à frente a Guerra do Iraque mesmo sem votar em tal conselho, pois era certo que perderia devido à forte opinião pública contrária na maioria dos países-membros. E não sofreu qualquer retaliação.

Isso sem falar que os membros permanentes do CS (que tem direito a voto e veto) foram escolhidos logo após a 2ª Guerra Mundial. E de lá pra cá o mundo mudou bastante, não? O Brasil tá doido pra uma vaguinha lá...
Pra quê?

19.7.06

Uma onda no ar...

Uma Onda no Ar é um filme baseado na história da Rádio Favela, surgida em 1983 no Aglometado da Serra, morro de Belo Horizonte. O filme conta como quatro amigos idealizaram a criação de uma rádio comunitária para dar voz à periferia e fugir da massificação que é oferecida diariamente pela indústria cultural. A repressão da Anatel e da Polícia Federal e a dificuldade de legalizar rádios comunitárias por irem contra o interesse das rádios comerciais são temas abordados.

O tempo passou mas as dificuldades continuam. O ministro da comunicações Hélio Costa deixou claro em seu discurso de posse: "As rádios comunitárias terão que servir à comunidade como determina a lei que as criou. Se funcionarem dentro da lei, rigorosamente dentro da lei, serão respeitadas. A rádio pirata vai ser fechada." Ou seja, não haverá qualquer incentivo ao desenvolvimento das rádios comunitárias e qualquer deslize será motivo pra fechá-las. Não é à toa que dizem que ele é "o homem dos empresários de rádio e TV" (clique aqui e veja as págs. 14 e 15).

A voz dos excluídos, a consciência dos pobres incomodam os poderosos, que tentam a todo custo sufocar o grito que vem da periferia. A liberdade de expressão continua sendo um direito restrito apenas a uma minoria.

Obs: não deixem de assistir ao filme e aproveitem os links desse post porque eles não estã aí por acaso.

Empresas são as estrelas das propagandas eleitorais

A Copa acabou. Outra competição agora assume lugar nos jornais. O período eleitoral, além da disputa por vagas, tem outra semelhança com o futebol: movimenta uma considerável soma em dinheiro. As doações para campanhas deste ou daquele candidato movimentam cifras nada modestas. Grandes empresas estão de prontidão para dar apoio financeiro aos candidatos de sua preferência.

No Espírito Santo, em levantamento feito por A GAZETA, nomes de companhias figuram entre as maiores colaboradoras dos candidatos das eleições de 2002. O Governador Paulo Hartung (do PSB, quando se elegeu ao cargo) recebeu R$ 500 mil da Aracruz Celulose, R$ 300 mil da CVRD e R$ 500 mil da CST na ocasião.

As boas ações chegam também ao poder legislativo. Durante a campanha, os hoje deputados Nilton Baiano (PP), João Miguel Feu Rosa (PP), Marcus Vicente (PTB), Rose de Freitas (PMDB) e Marcelino Fraga (PMDB) tiveram à disposição recursos da Blokos Engenharia. Esses dados podem ser obtidos no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Após o pleito fica a pergunta: todos os candidatos eleitos têm idoneidade para atuar em favor dos que pagam os impostos, ou sucumbem a outros favores?

Como escândalos envolvendo concessões irregulares a empresas e caixa-dois já se tornaram célebres, a reforma política, quase mítica, também entra em discussão. Um dos pontos abordados é o polêmico financiamento público das campanhas eleitorais. De acordo com o projeto os recursos sairiam do orçamento da União, que destinaria cerca de R$ 840 milhões para a divulgação dos candidatos.

Desaforismo: por Reinaldo Azevedo

Sempre que alguém disser quer o socialismo real não é o verdadeiro, denuncie a falsidade também do capitalismo real; no verdadeiro, todo mundo vai ser rico e feliz. Vamos ver quem ganha.

18.7.06

Agora os capitães-do-mato usam fardas...

Deu no Século Diário...

Choque da PM prende 100 quilombolas que catavam restos de eucalipto em área ocupada pela Aracruz

Ubervalter Coimbra

A Polícia Militar mobilizou sua tropa de choque para prender 100 descendentes de escravos negros que catavam restos de eucalipto em áreas ocupadas pela Aracruz Celulose no Córrego do Farias, em Linhares. A cata de restos de eucalipto é uma das poucas atividades que os descendentes dos quilombolas têm para garantir a subsistência de suas famílias, pois seus territórios foram tomadas pela empresa. Na operação de guerra realizada a pedido da Aracruz Celulose, a Polícia empregou um efetivo suficiente para caçar e imobilizar os negros, conduzidos em três ônibus ao meio-dia desta segunda-feira (17).

Matéria completa aqui


E deu confusão na delegacia...
Veja a reportagem da TV Gazeta, na qual obviamente os quilombolas são vistos somente na ótica de bandidos. Nenhum deles foi ouvido pra se defender. E olha que a repórter é negra. Mas de cabelo alisado.


Obs: a montagem tosca é de minha parte...

17.7.06

Macacos? Macacos...

Mais um "clipping" de "post" escrito por Reinaldo Azevedo:


Alô, "indignados úteis": vejam o que o PT faz com a universidade brasileira. Chaui deve "de" gostar, como diria Lula

O dia hoje está muito chato na política, só com declaratórios pra lá e pra cá. Então vamos a coisas mais relevantes. Há uma tiona aí, que tem um blog também, que resolveu falar mal de vocês, queridos leitores. Eu seria o falso profeta do que ele chama “indignados úteis” (vocês). Fica combinado. Ele fica com os “indignados inúteis”. Eu sou o Antonio Conselheiro de vocês. Só que, desta vez, que tal ganharmos? O cara até tenta falar bem do meu texto. Segundo ele, escrevo melhor do que Diogo Mainardi. É ressentido até quando elogia. É puro despeito contra Diogo, meu querido amigo, que escreve muito melhor do que eu. Há elogios que ofendem mais do que certas críticas. Ele botou minha fotinho lá no blog dele. Não botarei a dele no meu. Não acho a troca justa, rá, rá, rá. Ponto parágrafo.
Um dos meus “indignados úteis” me manda uma pauta deliciosa: o vestibular da Universidade Federal do ABC. Quem tem alguma dúvida do que o PT faz com a inteligência tem de ir lá conferir (clique aqui). Reproduzo algumas questões para vocês perceberem com o que estamos lidando. A de nº 9, de conhecimentos gerais, reproduz uma manchete de jornal sobre uma invasão de terras em Pernambuco e traz um mapa com os mortos em conflitos agrários. Aí vem a pergunta. Prestem atenção:

Tendo como referências a manchete e o mapa apresentados,
é possível afirmar que
(A) a agricultura brasileira ainda é praticada sem grandes
investimentos, o que gera grande pobreza no campo.
(B) a falta de terras férteis dificulta o assentamento de pequenos
agricultores que se tornam ociosos.
(C) o desemprego no campo é provocado pela pequena modernização,
sobretudo das lavouras de subsistência.
(D) a presença das grandes propriedades nas regiões Norte e
Nordeste é fato recente, mas que tem provocado sérios
problemas.
(E) a histórica concentração de terras é um dos principais
fatores responsáveis pelos conflitos e mortes no campo.

Qual é a resposta considerada correta? É a “E”, claro. Embora, de fato, qualquer pessoa com dois neurônios saiba que é a “A”. O PT está emburrecendo gerações. Não seria difícil demonstrar que as próprias alternativas, assim construídas, se constituem num discurso de defesa não da reforma agrária, mas da tática de “luta” do MST. Calma que vem mais.

(Leia mais no blog)

16.7.06

Classe Média

Futebol, multidão e pós-modernidade

O futebol é lindo por exaltar a harmonia

Antônio Negri*

O futebol é o mais lindo esporte do mundo, e isso porque é um jogo de virtudes. Explico: Maquiavel define como virtuoso aquele jogo no qual os jovens guerreiros romanos dançavam nos dias de festas, celebrando a vida e a guerra, o amor e a morte, a coragem e a generosidade. Maquiavel criticava, com essa definição, a maneira cristã, onde a alegria e o jogo foram estirpados e trocados por rituais tristíssimos. O futebol é, portanto, virtuoso porque é um jogo que reúne 22 singularidades que colaboram para um objetivo comum. Isso exalta a cooperação de pés e cérebros. Por mais paradoxal que pareça, podemos aplicar ao futebol os esquemas que derivam da sociologia do trabalho. Até o trabalho pós-moderno, imaterial e virtual, nasce da cooperação de funções intelectuais (de mãos e cabeças), realiza-se através de meios de comunicação e produz por meio de finíssimos nexos. O futebol seria como jogo pós-moderno? Não, certamente não: a modalidade nasceu em uma bela praça da Florença renascentista e foi codificado nas faculdades inglesas. É, logo, um fruto da modernidade. Apenas o futebol, melhor que qualquer outro esporte, adaptou-se à nova época na qual entramos, já que é o esporte das multidões. Das grandes multidões, que criam o espetáculo, mas, acima de tudo, daquelas pequenas multidões, aquelas aglomerações singulares, que constróem uma equipe. Faz algumas semanas, fui assistir a um ensaio do maestro Claudio Abbado com a Filarmônica de Berlim: um verdadeiro treinamento de grande singularidade. Maravilhoso era acompanhar a acumulação de partituras e torneios instrumentais em um som sempre perfeito e distinto, o som do que é comum. De tanto em tanto, o maestro se distanciava, descia do palco e fazia ver que a orquestra tocava sozinha. Também vendo o futebol, tenho a impressão de ouvir uma música tocada por si só. A importância do técnico é primordial, unindo o lúdico a uma eventual obra-prima. Mas voltemos para a sociologia do trabalho: também o trabalho imaterial, isto é, o trabalho intelectual, informático se articula através do fraseado múltiplo da singularidade. E, se a máquina organiza a produção, a cooperação linguística constrói seu sentido. Na medida em que aproximando os fonemas formamos palavras, e, juntando palavras, podemos gritar gol! Como grandes pensadores lógicos, os jogadores de futebol constróem significado com a inteligência dos pés, supervisionado pelo cérebro comunitário, que permite deslindar a ação complexa. Abbado desce do tablado, e a orquestra segue tocando. Produção da multidão, produção pós-moderna, produção intelectual. O futebol nasceu faz tanto tempo, mas somente hoje, quando entramos nessa nova era, pôde mostrar inteiramente o fascínio da vida atual, pós-moderna, imaterial. Dê uma olhada em outros esportes coletivos: o futebol americano ou o rúgbi não são construídos como uma totalidade, como uma música em coro. São, sim, fragmentos de episódios do jogo. Os dois conjugam uma exacerbação de performances individuais. São esportes esquizofrênicos, típicos da articulação moderna, sempre incompleta, ao mesmo tempo de massa e individual. Contrário a tudo isso, o futebol: aqui não há massa nem simplesmente individualidade. Há multidão que contempla as singularidades, há uma proliferação múltipla de ações singulares, há um coral polifônico.

*Antonio Negri é filósofo italiano

#Sobre Antonio Negri
#Mais Antonio Negri falando de futebol

15.7.06

A verdade vos libertará

Duas matérias divulgadas no Blog do Noblat sugerem ligação entre PT, PCC e MST.
Será manipulação da zelite?

Segue abaixo a íntegra de ambas (e perdão pelo tamanho):

Quem pariu o PCC ou o viu nascer que o embale

Circula nos altos escalões do governo de São Paulo cópia da degravação de uma conversa telefônica travada entre dois integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Um sugere ao outro que devem ser mortos "todos esses políticos". O outro pergunta: "Mas quais"? O autor da sugestão esclarece que se refere a políticos do PSDB e do PFL, poupando-se os do PT.
O governador Cláudio Lembo resiste à pressão para que divulgue a conversa grampeada com autorização da Justiça. O secretário de Segurança Pública é a favor da divulgação.
É com base em tal diálogo que cabeças coroadas do PFL e do PSDB tentam vender a história de que o PT estaria por trás dos ataques promovidos pelo crime organizado em São Paulo.
O senador Jorge Bornhausen, presidente do PFL, saiu na frente no início desta semana:

- O PT pode estar manuseando, manipulando essas ações [atentados].

O ex-governador Geraldo Alckmin e o ex-prefeito José Serra seguiram as pegadas de Bornhausen. Disse Alckmin:

- Tem muita coisa estranha por trás de tudo isso. Mas não vou fazer nenhuma observação de natureza política. Estranho a forma como a coisa ocorre, a época em que ocorre, a maneira como os atos são desencadeados.

Serra foi mais explícito:

- Basta você olhar os manifestos do crime organizado, o que eles dizem sobre a política, coisas que se diz que eles [criminosos] dizem, inclusive nas gravações.

Bateu o desespero na coligação PSDB-PFL. Muita gente ali teme que a onda de violência em São Paulo detenha o crescimento de Alckmin nas pesquisas eleitorais e subtraia a Serra as chances de se eleger governador ainda no primeiro turno.
Líderes políticos com o peso de Bornhausen, Alckmin e Serra não podem bancar acusações sem que elas antes tenham sido provadas. Dizer que o PT "pode estar manipulando essas ações" é igual a dizer que ele também pode não estar.
Falar em "coisa estranha" dada à época em que ocorre serve apenas para confundir e desviar o foco das discussões. É pura leviandade.
O PCC nasceu em 1993 na penitenciária de Taubaté, interior de São Paulo, depois que mais de 100 presos foram mortos um ano antes naquele que se tornaria conhecido como "o massacre do Carandiru".
Criado, de início, para defender os interesses dos presos, o PCC cresceu e passou a mandar nas 40 penitenciárias paulistas. Logo entrou em choque com o PSDB que assumiu o governo de São Paulo em 1995 com a eleição de Mário Covas.
Em 2001, o PCC liderou a maior rebelião da história penitenciária de São Paulo. Ela atingiu 29 presídios e terminou com um saldo de 16 mortos.
O troco veio um ano depois: 12 líderes do PCC foram mortos pela polícia na rodovia Castelo Branco. Deu-se ao episódio o nome de "Emboscada da Castelinho".
O governo paulista anunciou o fim do PCC em novembro daquele mesmo ano. Na época, o diretor da Delegacia Especializada no Crime Organizado, Godofredo Bittencourt, garantiu que a organização criminosa falira.

- O PCC não morde mais ninguém -, comemorou.

Era história para boi dormir. O PCC não só se manteve forte nos presídios como passou a comandar os crimes praticados fora deles. Aliou-se, por exemplo, ao Comando Vermelho do Rio de Janeiro.
Em 13 anos de existência, o PCC gastou onze em guerra contra governos do PSDB e agora do PFL.
É natural que tenha como principal inimigo quem o combate há tanto tempo. Em hora de enfrentamento, também é natural que pense em retaliar seu principal inimigo.
O PSDB e o PFL ultrapassam o limite da irresponsabilidade quando insinuam sem provas e de maneira criminosa que o PCC atua como braço armado do PT.
Quem pariu o PCC ou o viu nascer que o embale.

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Doce mistério

Tem político à beça atrás da resposta à seguinte pergunta: O que José Rainha Jr., um dos líderes do MST, veio fazer em Brasília na última quarta-feira?
Ele desembarcou antes do meio-dia. Chegou no Citatition Jet 1, matrícula SNP, de José Cerqueira Vilela, fazendeiro do Pontal do Paranapanema, região de conflitos agrários em São Paulo.
Deu um pulo no Palácio do Planalto. De lá foi à séde do IBAMA. E visitou o gabinete de um deputado federal do PT.
No fim da tarde, tomou o avião de volta e desembarcou no hangar número 1 da TAM em Congonhas. A mulher de Rainda, Diolinda, é candidata a deputada estadual pelo PT paulista.
O nome de Rainha é citado em conversas de bandidos do Primeiro Comando da Capital grampeadas com autorização da Justiça.
É o que garante quem teve acesso à transcrição das conversas.

14.7.06

A pedido

Por Reinaldo Azevedo (os links fui eu quem os postei):

Este é um daqueles textos que eu pretendo que o leitor, caso ache conveniente, leia e divulgue entre os que compõem a sua rede pessoal. Lula perdeu um mindinho por distração, mas eu aposto os dois, por excesso de atenção, que, neste sábado e neste domingo, Jorge Bornhausen será o saco de pancadas de todo colunista “neutro”, “isento” e “frio” da mídia brasileira. Dirão que exagerou; que ressuscita os velhos fantasmas da ditadura (o maior beneficiário pessoal da ditadura que conheço é Lula, com sua aposentadoria vergonhosa); que está tentando espalhar um clima inquisitorial no país; que está dando a senha para um caça às bruxas; que falou sem ter provas; que está tentando satanizar o partido que ainda tem o apoio de parcela expressiva da sociedade; que, se não sabe distinguir o bom petismo (?) do mau petismo, então iguala ambos pelo pior; que também o seu PFL tem elementos que não são flor que se cheire e que, nem por isso, se diz que todos são bandidos etc etc etc. Os mais ousados falarão até em "golpe". Vale dizer: nem é necessário que o PT se defenda. Seus advogados putativos, demonstrando que se identificam apenas com as estrelas (?), pedirão calma a todo mundo e farão aquelas perorações insossas em favor da civilidade na política. Se der, ainda falam mal das privatizações... Muito bem: qual é o risco? A oposição se intimidar com o colunismo da madrassa e mudar a estratégia, que está dando resultado. E que estratégia mirabolante é esta? Nada de especial. Falar o que pensa e tratar Lula e o PT como adversários. Até agora, Lula, Tarso Genro, José Dirceu, Aloizio Mercadante e Márcio Thomaz Bastos elegeram como alvo principal de ataque na crise da segurança pública o governo de São Paulo — este ou o anterior. O que dizer de um candidato que pede a cabeça do secretário de Segurança quando alvos públicos estão sendo alvejados pelo crime organizado? E o faz sem criticar os bandoleiros. As oposições não têm de dar bola para a minoria barulhenta do colunismo e sim para a maioria silenciosa que quer democracia, paz, ordem, sossego. A patrulha virá. Quem não quer se confundir com o PCC, que se distinga dele. Até agora, o petismo não fez isso. Assim como Lula vive atacando “eles” em seus discursos (as oposições), por que não ataca “eles”, os bandidos? Não, em vez de fazê-lo, vem com a cascata de que foram crianças sofridas. Se leram o blog ontem, é o mesmo que diz Marcola. O PSDB e o PFL nem precisam inventar frases novas para revelar o que o PT pensa sobre segurança. Basta ficar com o que os petistas disseram. Em suma: não e para se intimidar. Sempre que um colunista “isento” escrever, pergunte: “a quem essa análise interessa?’ Obtida a resposta, avalie o teor de isenção do texto. Vale para este blog? Claro que vale. Mas este ousa dizer o que pensa. E tampouco se incomoda que apontem o que pensa.

Domínio Público: obras disponíveis gratuitamente na Internet

Não acredito muito nesses boatos de Internet que recebemos por e-mail. Mas o dito pelo não dito, vou divulgar um e-mail que recebi. Diz que o site Domínio Público, lançado em novembro de 2004 pelo Governo Federal corre o risco de ser desativado por falta de uso.
Trata-se de uma biblioteca digital desenvolvida em software livre (política que tem sido incentivada pelo governo). O acervo "é composto, em sua grande maioria, por obras que se encontram em domínio público ou obras que contam com a devida licença por parte dos titulares dos direitos autorais pendentes."

É possível ter acesso gratuitamente a arquivos de imagem, som, texto e vídeo de autores como Dante, Leonardo da Vinci, Machado de Assis, Fernando Pessoa, entre muitos outros escritores, artistas, pensadores, etc.

Pensei um pouco e concluí que talvez seja apenas um boato. O custo para manutenção desse site não deve ser alto o suficiente para justificar encerrar um projeto desses. Mas olhando as estatísticas fiquei muito encucado. Em janeiro de 2006 o Domínio Público registra 21 mil acessos. No mês seguinte são 53 mil acessos e em março mais de 150 mil.

E desde então o site manteve-se com mais de 10o mil acessos, batendo o recorde em junho com 172 mil. Será que esse aumento tão brusco tem alguma relação com os e-mails que rodaram por aí sobre o risco de acabar com a biblioteca? Se sim, isso mostra o potencialde circulação de informações da Internet, sendo que essa informação nem sempre tem credibilidade garantida (leia também uma análise sobre as correntes de e-mail como instrumento de mobilização política)

De qualquer forma, com um crescimento tão significativo, é muito improvável que o site saia do ar. Mesmo assim, não custa nada passar lá e fortalecer esse projeto e, claro, a sua mente também!

*Outro portal que oferece downloads gratuitos é o Projeto Democratização da Leitura

Como é que você ainda acredita no PT?

De um lado o "intelectual" e ex-presidente dizendo que "a ética do PT é roubar". Do outro lado, os ex-petistas do PSOL, afirmando que o PT de "Lulla" é podre, que não serve mais para nada. No meio desse fogo cruzado eu ficava muito triste. Não por Lula, Dirceu e essa corja toda, mas por grandes figuras petistas que conheço e tenho profunda admiração por suas lutas e honestidade.

E aí muito me impressionou saber que apesar de algumas tendências como a APS-Ação Popular Socialista - saírem do PT e se juntarem ao ex-petistas expulsos (autoritariamente, importante ressaltar) no PSOL, milhares de outros cidadãos, com histórico de lutas sociais ou não, muitos deles jovens ingressando na militância, entraram para o PT exatamente durante o período de "crise". Então, resolvi abrir um espaço para que uma dessas pessoas pudesse soltar seu Grito Sufocado e expor esse outro lado que a mídia não mostra, que é o PT da base, dos movimentos sociais.

Quem nos fala é Vicente de Oliveira, jovem petista de Maceió (AL). Na verdade é um bate-papo virtual que ele teve com um colega e que me mandou pra explicar um pouco o que ele pensava e sentia. Autorizado a publicar tal texto nesse blog, editei o texto, cortei alguns pequenos pedaços e passei-o para a linguagem formal, já que se tratava de uma conversa de chat. Claro que é a opinião de apenas UM petista, mas parece muito com o que já ouvi de tantos outros.

Para ler o texto inteiro clique aqui. É grande mas vale a pena.
Para ler algumas partes que eu selecionei vá para o post abaixo.

Como é que você ainda acredita no PT? II

"O PT surgiu como uma necessidade dos/as trabalhadores/as brasileiros/as de se organizar e lutar contra um sistema que explora e exclui e que não respondeu às necessidades do povo.
(...) necessidade desses/as trabalhadores/as se organizarem em um instrumento que aglutinasse todas as forças políticas de esquerda e progressista que existia na época. "

"É bom lembrar também que o foi algo novo no mundo. Porque não repetiu o modelo da URSS, como os partidos comunistas brasileiros PCdoB, PCB. Foi uma experiência nova, criada pelos trabalhadores/as para os/as trabalhadores/as, e o resto da historia você conhece: as lutas, as manifestações, entre outras tantas coisas em prol da classe."

"Como o PT reuniu muita gente, reuniu também muitas opiniões, começou a surgir as tendências (...) E foi criando um grupo muito grande e outros muito pequenos. Esse grupo grande (..,) se partiu em meados de 93. Surgiram dois grupos a partir desse: a Unidade na Luta (Campo Majoritário) e a AE (Articulação de Esquerda)
O primeiro, UL, conquistou o PT de vez no congresso de 94. É o mesmo grupo de Zé Dirceu, LULA, Mercadante, Marta, Dilma. E de lá ate 2004 eles só fizeram crescer. O que aconteceu com isso é que foi se criando uma maioria muito grande onde eles conseguiram ter mais de 50% da direção do partido. Com isso, impulsionado por esse grupo, o PT passou a dar mais valor a disputa institucional (disputar as eleições) do que a organização das massas, da classe, do povo."

"Enfim, o PT se tornou um partido grande, que tinha condições de disputar o poder com as elites e foi-se deixando de lado os movimentos socais ( é importante lembrar que o PT surgiu para aglutinar as massas e através dela romper com o capitalismo e lutar pelo socialismo. E enquanto não chega as condições necessárias para que isso aconteça, disputar a institucionalidade, para representar os movimentos sociais nos espaços contraditórios, no caso o parlamento e o poder executivo).
(...) Aí o PT chega à presidência, mas não ao poder de fato, já que só elegeu 17% do congresso. Aí surgiu dentro do PT uma tal de governabilidade, e a UL priorizou o fisiologismo do congresso para governar o Brasil em detrimento dos movimentos sociais"

"(...) a crise vivida pelo governo LULA é, na verdade, um episódio marcante da luta de classes no país. Como nunca antes na história. E sabemos muito bem de que lado a grande mídia vai ficar, no lado que a interessa, no lado que a mantém poderosa, no lado do grande capital (...) O ataque ao governo e ao PT assumiu um tom de fúria, como nunca antes visto. "

"(...)a crise como ela é apresentada não existe, num estou dizendo que não houve corrupção, ela existe sim, mas a crise nos moldes que vemos através da grande mídia, foi criada num momento que alguns julgaram interessante inventá-la."

"Quer dizer, é na verdade, um produto midiático que avassalou a sociedade brasileira inteira, querendo fazer parecer que o PT é igual aos outros partidos, quando não é, a cúpula partidária cometeu erros abomináveis, mas quem faz o partido de verdade, que é a militância, o povo organizado, nada sabiam e não tinha a ver com o que aconteceu."

"Continuo no PT por achar que ele ainda é um instrumento de aglutinar as massas, a base petista existe e opera nos movimentos sociais, onde houver um movimento social de verdade, propondo mudanças, a base petista estará lá
Então, como participante dos movimentos sociais, como critico do capitalismo e da ideologia dominante, critico do neoliberalismo, como almejo um modelo socialista, humano, igualitário e sem explorados nem exploradores, continuo a ser petista, isso é ser petista."

"Infelizmente a direção partidária começou a dar maior importância as eleições e esqueceu os militantes, mas luto para que essa lógica seja invertida novamente.
Sei também que o PT é o acumulo da classe trabalhadora brasileira e que não está fadado a ser eterno, mas que seu ciclo enquanto organizador das massas ainda não acabou."

"Ora pois, quando os movimentos sociais tem algum projeto pra apresentar no congresso, ou ate mesmo na câmara de vereadores de Maceió procura quem? Um deputado, senador, vereador petista. Qual o partido consegue dialogar com as massas? Com a classe? O PT."

"Então, companheiro, porque abandonar assim esse partido? Porque não lutar por ele? Por esse instrumento de luta? Porque não disputa-lo internamente? E se eu sair do PT, pra onde eu vou? Pro PSTU? Que já existe a mais de 12 anos e que não consegue ter inserção nas massas? Pro PSOL que já nasce com todos os erros e vícios do PT?
E pior, nasceu de parlamentares e uma senadora, resumindo, já nasceu de pessoas entregues a institucioanlidade, já nasceu no Congresso corrupto e fisiologista.
Não há alternativa viável nesse momento."

"Por isso luto. PORQUE O PARTIDO É DOS TRABALHADORES, O PARTIDO É DAS TRABALHADORAS. É gay, negro, feminista, democrático, socialista,classista e de luta."

13.7.06

Soja - Em Nome do Progre$$o

A expansão da soja na Amazônia tem atraído fazendeiros de outras regiões do Brasil, que se mudam com a ambição de se tornarem ricos rapidamente.

Mas tudo tem seu preço... Comunidades locais são ameaçadas e expulsas de suas terras. E a floresta é destruída para dar lugar à soja.

Para o Brasil, tudo em nome do "progresso". Mas, para aqueles que perderam suas terras e viram a destruição que a soja trouxe para a região de Santarém, o avanço da fronteira agrícola na Amazônia não significa nada a não ser devastação e miséria...

Documentário com narração de Marcos Palmeira.

12.7.06

Sobre escolha, ambição, perda, talento e recompensa: um Filme



O curta realizado pela Pixar tem o nome "One men band" e concorreu ao Oscar deste ano de Melhor Filme de Animação em Curta-Metragem.

10.7.06

Entrevista do jornalista Reinaldo Azevedo concedida ao site Observatório da Imprensa

Link à íntegra da entrevista

Trecho:

Reinaldo Azevedo: "A sua pergunta traz uma afirmação de que discordo. O PSDB não é um partido conservador. Se fosse, estaria combatendo a agenda estabelecida pelo petismo, como nós, no Primeira Leitura, combatemos. O PSDB pensa alguma coisa sobre cotas? O PT pensa. É favorável. Eu penso: sou contrário. E os tucanos? O PSDB pensa sobre a política econômica exatamente o quê? Talvez, nesse caso, fôssemos um tantinho mais progressistas do que a média do partido. O PSDB pensa o que sobre a Bolsa-Miséria de Lula? Nós pensamos. Quanto aos empresários, não sei o que pensam, se é que têm um pensamento unificado, o que não me parece. Uma parte está satisfeitíssima com a política econômica de Lula. E apóia as revistas que cantam as glórias do petismo. O grande empresário no Brasil chama-se Estado. E alguns preferem não brigar com o gerente: o governo
.".

Entrevista com Franklin Martins

Afastado da Rede Globo após quase uma década de trabalho, um dos mais conhecidos comentaristas políticos do país analisa a chamada “crise do mensalão” e avalia que a imprensa foi longe demais no episódio. “Parte da direção do PT cometeu erros e crimes, mas não havia o mensalão”, diz.

Leia aqui

8.7.06

VAMOS VIRAR ZIMBABWE

No programa “Passaporte para…” de Luís Nachbin exibido no canal Futura, vi o que será do Brasil daqui a alguns anos. Seremos um Zimbabwe continental com a diferença que seremos um Zimbabwe pentacampeão do mundo, o que já é alguma coisa.

Neste país africano, cuja capital, Harare, possui até uma boa infra-estrutura para o turismo, 6 milhões de pessoas passam fome. A agricultura do país quebrou. A culpa disso foi o apartheid ao contrário: o racismo estimulado pelo presidente Robert Mugabe tomou a terra dos brancos malvados na marra e com derramamento de sangue. A exportação de produtos agrícolas era a base da economia do país. Gerava empregos e divisas. Mas o ditador de plantão resolveu tomar as terras e dividi-las entre a população, fazendo uma reforma agrária. Deu no que deu. A maioria das terras estão ociosas, não se investe mais em agricultura como se investia e, lógico, a fome venceu.

Mugabe fez o que o MST quer fazer no Brasil. Transformar um país outrora auto-suficiente em produtos agrícolas em dependente. Algo que, por exemplo, Fidel Castro conseguiu fazer com extremo sucesso em Cuba: tornar o país campeão mundial de produção de açúcar em importador do produto.

Ao MST interessa a miséria.

Mugabe nos serve como exemplo: existe uma enorme diferença entre intenção e resultado.

Crédito: Blog Leite de Pato

7.7.06

BAR RUIM É LINDO, BICHO!

De Antonio Prata

Eu sou meio intelectual, meio de esquerda, por isso freqüento bares meio ruins.
Não sei se você sabe, mas nós, meio intelectuais, meio de esquerda, nos julgamos a vanguarda do proletariado, há mais de 150 anos. (Deve ter alguma coisa de errado com uma vanguarda de mais de 150 anos, mas tudo bem).

No bar ruim que ando freqüentando nas últimas semanas o proletariado é o Betão, garçom, que cumprimento com um tapinha nas costas acreditando resolver aí 500 anos de história. Nós, meio intelectuais, meio de esquerda,adoramos ficar "amigos" do garçom, com quem falamos sobre futebol enquanto nossos amigos não chegam para falarmos de literatura.

"Ô Betão, traz mais uma pra gente", eu digo, com os cotovelos apoiados na mesa bamba de lata, e me sinto parte do Brasil.


Continua...

Dica de link



Lula descreve-se a si mesmo

6.7.06

Dica de link


Notícia: Trio é acusado de roubar segredo de fabricação da Coca-Cola nos EUA

4.7.06

Tônica do Brasil pós-Zidane

3.7.06

Escalações duvidosas

Por Marcelo Salles

Teoria da Conspiração? Não. Análise fria do contrato da CBF com a Nike. Está no livro "CBF/Nike - as investigações da CPI do Futebol desvendam o lado oculto dos grandes negócios da cartolagem e passam a limpo o futebol brasileiro", de Aldo Rebelo e Silvio Torres (Casa Amarela, 2001).

As páginas 122 e 123 mostram que o contrato, assinado em 1996 por 10 anos e prorrogável por mais quatro, chega a um total de US$ 369 milhões (cerca de R$ 860 milhões) e, numa de suas cláusulas, registra: "A CBF se obriga a escalar os oito principais jogadores sob um critério não definido, mas que pode ser o da Nike".

Isso foi o que veio a público. Agora, imagine você o que consta no contrato vitalício de Ronaldo com a multinacional. Imagine os outros contratos, entendimentos e acordos da Nike com a CBF. E que outros jogadores possuem contrato com esta empresa? Ou a pergunta seria: quais não possuem? Zagallo e Luxemburgo possuíam quando treinadores. Será que Parreira também não é contratado da multinacional? O que diria tal contrato? A quem serve o técnico da seleção brasileira? Por que Roberto Carlos, Cafu, Adriano e Ronaldo têm vaga cativa nesse time? Ou essas perguntas não interessam à audiência da Globo?


*Do site Fazendo Media
Enquanto o Brasil declarava um pseudo-patriotismo diante de um pseudo- jornalismo abobalhante da TV Globo, enquanto os milhões de brasileiros paravam de trabalhar e se reuniam na frente das televisões, o Governo nos dava um golpe. O golpe de manter tudo como está. O golpe de não mudar, de não ter coragem, de não ter vontade. Na neblina de euforia a TV brasileira continua sendo a TV brasileira, a Rede Globo continua Rede Globo e o povo continua sendo bobo.
Eu, mais um abobalhado, demorei um bom tempo pra saber da notícia que já parecia certa, mas a data do anúncio, incerta. No fundo ainda existia aquela pontinha de esperança no bom-senso ou ainda na VONTADE DE CONSTRUIR UM PAÍS MAIS JUSTO que aqueles que hoje me apunhalam um dia me ensinaram a ter.
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