31.5.06

Um artigo lúcido...

Ora, ora, quem diria! O Brasil produziu ao menos um intelectual orgânico: Marcola. Mais do que isso: vejam vocês, o homem também tem ambições teóricas. Não deixa de ser um evento. Luminares como Marilena Chaui, Emir Sader ou Marco Aurélio Garcia já ensaiaram algumas teorias gerais da revolução, e é Marcola, um leitor de Dante, Lênin e Sun Tzu, quem consegue dar uma dimensão prática ao pensamento.

Eis, finalmente, um intelectual das massas para o qual toda teoria não é inútil. Ah, este sim sabe “o que fazer”, a exemplo da Múmia Homicida de Moscou. Não! O homem não é preguiçoso feito o Apedeuta. Busca ilustração e está, certamente, à cata de uma metafísica. Se eu fosse Chaui, Sader ou Garcia, teria inveja de Marcola porque ele, sim, conhece todas as nervuras do real.

Por Reinaldo Azevedo.
.

(continuação do texto)

30.5.06

SEMINÁRIO: OS DIREITOS DOS POVOS INDIGENAS E O AVANÇO DO AGRONEGÓCIO

Nessa quinta-feira acontecerá um seminário na Ufes com o tema: "Os Direitos dos Povos Indígenas e o Avanço do Agronegócio: Questões e Desafios". Os palestrantes serão:
-Dom Tomás Balduíno (Presidente da CPT*),
-Jorge Eduardo Saavedra Durão (Diretor-Executivo da FASE* e Coordenador-Executivo da ABONG*
-Magnólia Said – Membro da Coordenação Executiva da Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais e Diretora do ESPLAR (Centro de Pesquisa e Assessoria)

Além deles, estarão entre os debatedores representantes dos caciques indígenas capixabas, dos quilombolas, do Ministério Público Federal, da Aracruz Celulose, da Rede Alerta Contra o Deserto Verde, da Funai, entre outros.

Um tema muito pertinente diante da realidade brasileira e, principalemente, da realidade capixaba. Começa às 8h30 com intervalo para almoço e retomada às 14h (veja a programação aqui), extendendo-se até às 17h30. No aufitório Manoel Vereza (CCJE). Imperdível!


*Legenda:
- CPT= Comissão Pastoral da Terra
-Fase= Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional
-Abong= Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais

Cidade Braga

A Feira e Congresso Internacional Cidades 2006 movimentou o campus da Ufes, em Goiabeiras, na semana passada. Debates e palestras abordaram a gestão das cidades, alternativas, projetos que puderam ser compartilhados para melhorar o desempenho das administrações municipais em diversas áreas.

Em meio a tantas questões de ordem prática, a busca efetiva de soluções para problemas não menos concretos, li uma passagem de Rubem Braga em que ele fala de algo abstrato, mas talvez mais fácil de apreender.

“... Ela não será melhor que as outras. Nem é para ser, nem para fingir que é. Mas nesse carinho egoísta de um homem pela sua cidade, cada um de nós sente alguma coisa de superior e de bom. O sentimento da cidade, a comunhão dos seus homens, nos ajuda a desfrutar tudo o que separa e divide os humanos, a cidade é nosso exercício de compreensão do mundo”.

28.5.06

Senadores querem regulamentar ações de órgãos ambientais

A Portaria n° 39 de 16 de maio de 2006 do Ibama, que dispõe sobre a ampliação da Zona de Amortecimento do Parque Nacional Marinho de Abrolhos, provocou reações no Congresso Nacional. O Parque de Abrolhos compreende parte do litoral dos Estados do Espírito Santo e Bahia. A Zona de Amortecimento é um espaço em torno da área da Unidade de Conservação preservada para que os organismos vivos possam chegar até o reduto do Parque. Essa área era de 10 Km e agora foi ampliada para 250 Km.

A polêmica se instalou porque próximas ao Parque encontram-se bacias de exploração de petróleo e gás. Após a nacionalização dos hidrocarbonetos na Bolívia, o Espírito Santo parece ser o Estado para o qual as atenções estão voltadas, já que possui grandes reservas de óleo leve (de boa qualidade) e gás. Apesar da nova Zona de Amortecimento não abarcar a Reserva de Peroá, potencial produtora, a portaria parece ter exaltado os ânimos dos parlamentares.

Os senadores capixabas João Batista Mota (PSDB), Marcos Guerra (PSDB) e Magno Malta (PL), e os baianos Antônio Carlos Magalhães, César Borges e Rodolfo Tourinho, todos do PFL, entendem, segundo o jornal ES Hoje, (dia 26 de maio) que a medida é um entrave ao crescimento dos Estados. O Senador licenciado e atual secretário de estado de Desenvolvimento de Infra-estrutura e Transportes do Governo do Espírito Santo, Gerson Camata (PMDB) disse, em entrevista a José Maria Batista, que “Tem alguém querendo aumentar o cacife do presidente boliviano e destruir o Espírito Santo”.

Camata elaborou uma proposta de emenda constitucional (PEC) que será apresentada pelos colegas tucanos e pefelistas ao Senado para impedir a validade da portaria e tornar apreciáveis à Casa todas as decisões do Ibama quanto à criação e ampliação de Unidades de Conservação, para defender os direitos dos Estados, que perdem muito dinheiro com essas coisas, segundo o Senador.

O Ibama disse que a portaria, por não abarcar as áreas onde há a exploração de gás, não vai afetar a produção do Estado, o motivo de grande apreensão dos Senadores. O que a medida prevê é somente um estudo de impactos ambientais (EIA/RIMA) e uma atenção que o órgão irá dispensar às atividades nas reservas de petróleo e gás para proteger o Parque de Abrolhos. Ainda segundo o órgão, a competência do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis) não vai de encontro ao interesse dos Estados, a não ser que eles não visem à preservação de seus recursos, o que parece ser um contra-senso.


27.5.06

Emir Sader abriu sua fala hoje no Congresso das Cidades 2006 com a seguinte provocação:

“A cidade foi uma das grandes utopias da modernidade, mas esse ideal precisa ser rediscutido porque ele não trouxe a integração social e nem a cultura da paz que prometia”

Leia a cobertura da palestra dele aqui

Sader foi o mais aplaudido até agora no congresso. Amanhã o dia promete, Leonardo Boff e Roberto da Matta, entre outros...

26.5.06

Despedida...

alô pessoal!!

tô aproveitando esse post pra anunciar meu desligamento aqui do Grito Sufocado..
sei q é chato fazer propaganda, mas sem-querer-querendo, vô tá agora no:

Blog Viva La Revolución!

que era meu blog antigo..

valeu aí! =]

Brincadeira de criança paralisa Vitória

Garoto de 11 anos de Jardim da Penha foi o autor do bilhete que gerou pânico e boatos em Vitória. C.M.J. quis fazer uma brincadeira e mandou o bilhete por fax para algumas loja do centro da cidade. O medo crescente da violência após os ataques do PCC em São Paulo e os ônibus queimados nas duas noites anteriores contribuiram para que a pegadinha tomasse proporções inesperadas e o pânico se espalhasse.
Uma brincadeira de criança. Dá pra acreditar? Se você está acreditando, esqueça. Sou eu que estou inventando essa estória. De boatos, já bastaram os de ontem. Mas bem que pode ter sido assim mesmo. O bilhete, diferente dos que os incediários entregavam aos motoristas depois de atacar um ônibus, foi digitado em computador e não continha constantes erros de português. Para paralizar uma cidade então, basta redigir um bilhete e mandar pra umas 5 lojas por fax(por e-mail não vale. Boatos de internet não tem tanto crédito). O resto deixa por conta do meio de comunicação mais democrático de todos: o boato.
A população da Grande Vitória demonstrou ontem o seu maior medo. Acreditamos em estórias que o medo nos dá medo de duvidar. Por via das dúvidas, é melhor ir pra casa. Assim foi com o dono desse blog, que encontrei ontem a noite no Congresso das Cidades, ansioso pra voltar logo pra casa. Acreditamos que ônibus foram incendiados num horário em que rodavam todos com quase 100 pessoas a bordo. Hoje, não acredito que aquele bilhete seja verdadeiro. Acredito mais na tese da brincadeira. O que não me faz duvidar que algo do gênero aconteça.

24.5.06

A boa e velha propaganda!

Como já disse uma vez um certo alguém (que não recordo):

"De que adianta governar, e não fazer propaganda dos seus feitos?"

E a política brasileira como sempre, vem demonstrando que a frase é certeira. Como pode-se ver nesse link da reportagem do BOL

23.5.06

Mais uma bela iniciativa...

Hoje navegando pela net descobri o site Quero Mais Brasil, que diz ser um canal onde as pessoas podem se manifestar pra cobrar um Brasil melhor. Entrei lá e dei uma "vista" no conteúdo. Achei uma bela tentativa de mobilizar o povo pra um país mais justo.


Vale a pena conferir!! Sobre se os resultados darão efeitos; resta sentar, aguardar e ver né?
(com sinceridade, creio que é mais um daqueles movimentos com resultado nulo, mas onde mesmo assim não podemos deixar de louvar a iniciativa)

Só penso que algumas personalidades que participam dessa mobilização poderiam fazer muito mais por um país melhor do que simplesmente dar depoimentos, etc (caso de Roberto Medina, que tem dinheiro e influência pra cobrar ações do governo).

Mas mesmo assim, taí um bom link! =]

22.5.06

Carta ao Presidente

Em seu novo CD , Marcelo D2 canta "Carta ao Presidente", uma resposta à Carta ao Povo Brasileiro, lançada pelo PT antes das eleições de 2002:

Marcelo D2 - Carta Ao Presidente

E a carta, cadê?
Mais ou menos assim que eu tava pensando:
O brasil quer mudar,crescer, pacificar
Uma justica social que tanto alguns tentam conquistar
Se em algum momento algum político conseguiu despertar a
esperança.
O final da historia é uma lambança.

Nosso povo constata que promessas não faltam e a corrupção
continua alta.
Eu não venho por meio dessa com protestos destrutivos.
Ao contrário,
apesar de sofrimento injusto e desnecessário.

Colapso aí,
não somos fãs de canalha.
Reabra o fogo e me venha com medalhas.
Soberania pais,
Da onde vêm essas idéias?
e o tal desenvolvimento econômico?
Pra mim, é só miséria

Déficit habitacional.
E favela pra todo canto.
Me lembro de uma reforma agraáa,
que ia segurar seu pai no campo.

Quando você diz justo,
vem de justiça, nao é?
Como vamo mantar a calma se a justiça é só pra ralé?
Como você disse,
eu quero a verdade completa.
Todos os brasileiros querem a verdade completa.


O segurança que o governo tem oferecido à sociedade brasileira.
Ali só pode estar de brincadeira.
Mas cá entre nós, na verdade, quer saber?
Todo brasileiro quer mudar é pra valer.


Sentimentos predominante entre as classes ainda é
Qual seria a diferença do Luiz pro José?

Eu sei,
que é preciso ensinar a importância do controle da inflação.
Mas o Brasil solidário não apareceu aqui ainda não.
Minha mãe sempre dizia que o exemplo vem de cima
E agora Silva, você tá em cima.

Uma vida sindical bonita, ao lado dos trabalhadores.
Nunca se esqueça, ao lado dos trabalhadores
Parece que a economia é o mal da nação,
mas ao meu ver o mal tá na corrupção.

Quem tem dinheiro pra educação, segurança, saúde, então nem se fala.
Enquanto isso neguinho tá carregando dinheiro na mala.
As cadeias estão cheias de pretos e nordestinos como nós.
mas os verdadeiros criminosos são os que têm a voz.


Se você não sabia de nada,
entaõ não está fazendo teu trabalho direito.
Afinal de contas, você é o presidente eleito!

Falta dizer:
o sacrifico continua dos mais necessitados
que ainda andam esquecidos e colocados de lado.
O que nos move aqui é a certeza que o Brasil
e bem maior do que isso.
quando precisarem dos que querem o bem estamos aí,
prontos pro serviço.

Desculpa se eu entendi algo errado.
Mas aqui são as minhas palavras,
ou melhor, as palavras daquele caso.

Familia brasileira,
honesta e trabalhadora,
como quase todas,
honesta e trabalhadora.

Sem mais delongas,
nao repara o sorriso amarelo,
um abraço tou indo amigo.
Marcelo,
Rio de Janeiro 28 de Fevereiro de 2006.

.................................
  • Leia a crítica do novo CD de D2 por Paulo Roberto Pires

PCC é facção comunista?


Links para matérias do jornal online O Estado de São Paulo:

PCC planeja eleger dois deputados em outubro

MST ensinou PCC a fazer protesto

21.5.06

Texto retirado do blog "Ao Mirante, Nelson!"

Elevador enguiçado.

– Sim, claro: o mundo acabou em 1789. Agosto de 1789. O que se pode chamar de Juízo Final, ou algo próximo disso, foi aquilo.
– França.
– Exato. Com a instalação da Assembléia Constituinte e a prisão do Luís e da Antonieta. Comparando com um desfile no Sambódromo, a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão foi a explosão rítmica na Praça da Apoteose. Com isso a História se fechou em si mesma e não precisou mais acontecer.
– Sei.
– Tá, pode prosseguir em sua eloqüência blasée aí, sem nem olhar direito pra mim. No fundo você tá doido para acompanhar meu raciocínio.
– Eu espero.
– Então. Prenderam o casal real, os jacobinos se mostraram tolerantes com a oposição; o Robespierre, o Danton e o Marat assumiram a guarda nacional, convenceram diplomaticamente a Prússia e a Áustria a não invadirem a França, a Declaração se irradiou pela Europa, pelo planeta todo e tudo terminou feliz para sempre.
– E…?
– Claro, claro. “E…?” Sempre o “E…?” Ai, ai. Sabe qual o problema? O problema é que você não iria acreditar se eu dissesse que somos a materialização imagética de uma obra ficcional. Iria?
– Por que não?
– “Por que não?” Olha, estou realmente encantado com sua complacência fingida. Encantado. Vamos lá. Um tal Etiènne Vautrin, escritor, burguês falido e amigo do Luís dezesseis, pressentindo a monotonia em que iria mergulhar um mundo em eterno estado de graça – já que a autodeterminação da raça humana tinha chegado ao apogeu e era desnecessário o prosseguimento da História –, escreve uma obra de ficção, a primeira, primeiríssima ficção sobre um futuro alternativo. Essa obra contempla a possibilidade da Revolução desandar, olha só. Ela desenha o Robespierre como um maníaco, que três anos depois passa a guilhotinar inimigos, amigos, qualquer ser vivente. Essa obra ressentida - ou combalidamente nonchalante, como queira – chega ao ponto de estabelecer que a instabilidade social acaba voltando a Paris. Ah, o classicismo relutante. Pois bem, aí um psicótico chamado Napoleão entra no cenário pra devolver o status de império à França. O que o insidioso do Vautrin quer sugerir é que o conceito de esquerda, inaugurado no imaginário humano pelos jacobinos, sempre é acompanhado de um banho de sangue quando se institucionaliza. Autofagia pura. Aparecem outros personagens nas décadas seguintes: um alemão lança um manifesto que prevê o levante proletário mundial, baseado em coletivização da produção e na distribuição de riquezas. Então décadas depois uma tal comuna libertária trabalhista – tinha que ser novamente em Paris, claro – aparece e é esmagada num piscar de olhos. O tal Vautrin é fogo, eu te falei. Irônico mas não inverossímil: pra não deixar sua sátira presa numa premissa cínica e estéril, ele imagina, no século seguinte, a cartilha do alemão sendo aplicada por governos de vários países. Um desastre atrás do outro. Sempre o mesmo plot que se passou com os jacobinos: uma liderança política oriunda da representatividade popular passa por um revertério psicológico e só se mantém no poder à custa de sangue ou de deslavada corrupção. Tem mais: justo o país de onde saiu a declaração de independência que influenciou os jacobinos torna-se, duzentos anos depois, a maior potência mundial antagonista da esquerda. Eu falei que o Vautrin é um cínico. E ele nem pode ser acusado de seguir a cartilha da prosa épica: a trama futurista é encerrada com uma metalinguagem melancólica e meio vonnegutiana (sim, vem do personagem Kurt Vonnegut, autor de ficção científica que funciona no processo histórico meio como alter-ego do Vautrin), descrevendo o diálogo de dois sujeitos no início do século vinte e um, diálogo que contempla a possibilidade dos três últimos séculos terem sido obra ficcional – deixando clara a insinuação de que toda, toda e qualquer história depende tanto do posicionamento que o narrador metido a espertinho escolhe pra apresentar os personagens quanto do cenário em que eles são confinados, e voilà: temos dois sujeitos sem se saberem personagens, um falando eloqüentemente como convém a uma temática auto-explicativa, o outro monossilábico, falando ao celular, e… Er. O senhor estava – falando ao celular, aí?
– França! Percival França, caralho! Não é possível que você até agora não possa me dizer como é que tá meu carro! Eu tou esperando tem cinco minutos! Quer que eu dê o quê, o meu CPF também, porra? Como é seu nome? Como? Aldair? Pois é, Aldair, escuta bem: é por isso, entendeu?, é por isso que eu tenho esse BMW aí e você nunca vai passar de um simples atendentezinho, viu? Ouviu bem?

Sim: do lado de fora do elevador enguiçado. Esqueci de dizer.

19.5.06

Mensagem ao PFL

Aluna de comunicação da Ufes solicita indicações de livros ao PFL e não é atendida.


A universitária L.S.G. enviou um e-mail ao Partido da Frente Liberal (PFL) no qual pedia indicações de livros alinhados com a ideologia do partido. Após duas semanas de espera, a estudante não obteve respostas.

“Entrei no site do PFL e cliquei em ‘Fale conosco’. Lá dizia que qualquer sugestão ou solicitação seria bem-vinda. Então pedi que me enviassem livros ou sugestões de leitura, que estivessem de acordo com o que eles pensavam sobre o mundo, e sobre o Brsil”, disse L.S.G.

Como não obteve resposta, a estudante afirma que nada pode afirmar sobre o partido. Quanto aos motivos do envio do e-mail, ela esclarece que queria apenas se esclarecer. “Na universidade temos à disposição (referindo-se a textos utilizados em sala de aula) muitos autores marxistas ou neo-marxistas, já os liberais, ou seja lá o que forem, são raros. Como também nos ensinam a apurar sempre o outro lado da história, então eu queria ouvi-los”.

Em busca de algo mais do que o noticiário oferece, e ainda em dúvida sobre em que se baseia o PFL, partido que apóia Geraldo Alckimin nas eleições presidenciais, L.S.G. levanta agora uma outra suposição. “Ou eles não lêem muitos livros, ou não lêem muitos e-mails”.

Veja no primeiro comentário desse post o e-mail enviado por L.S.G. ao PFL.

"Já são mais de 100 'suspeitos' assassinados, e nenhum deles é PCC"

A denúncia é do rapper, escritor e blogueiro Férrez.

18.5.06

O Crime Compensa*

*Texto de Clovis Rossi, publicado em A Tribuna em 17/05/2006

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse, certa vez, que não fizera a reforma tributária, tida como prioridade na campanha, porque era “difícil”. Sai FHC, entra Lula e, mais simplificador, diz, em junho de 2004: “o Governo tenta fazer o simples, porque o difícil é difícil”.

Deve haver considerações do gênero em governos anteriores. E, dificuldade em dificuldade, chegou-se a São Paulo dos últimos dias. Sim, porque atacar de fato o problema da segurança pública é difícil. Fácil é dizer: “bota o exército nas ruas”, ou “a culpa é do Alckimin”, ou “a culpa é do Lula”.

O problema é infinitamente mais complicado. Envolve pelo menos dois aspectos centrais:

1) O poder público brasileiro, em todos os níveis, faliu. Pior: a noção de bem público tornou-se risível. O mundo político que deveria cuidar dele, cuida apenas de sua própria sobrevivência, com uma ou outra exceção. O mensalão e os sanguessugas são apenas as mais recentes demonstrações da falência. Pior ainda: a sociedade não reage.
[...]

2) O crime compensa. Compensa porque as leis são caudalosas e confusas, porque sua aplicação é lenta, porque a apuração de crimes é virtualmente inexistente (só 4% deles são efetivamente solucionados pela polícia), porque ainda que haja punição, não há lugar nas cadeias, etc.

Compensa também porque a renda e o emprego oferecidos pela criminalidade superam, para uma parte importante da população, o que propõe a economia, digamos, normal, se é normal uma economia que perde a competição com o crime.

Resultado: o governo fica fazendo o “simples”, e o problema torna-se cada vez mais grave, até que a barbárie se instale. Bem-vindo a ela.

17.5.06

Comércio ilegal globalizado é tema do Roda Viva hoje

Em edição excepcional hoje (quarta-feira), o programa Roda Viva, da TV Cultura, apresenta a entrevista com Moisés Naím, autor do livro "Ilícito".

"Tráfico, contrabando e pirataria já se tornaram atividades globalizadas, cada vez mais poderosas, resistentes aos controles e quase sempre contam com a cumplicidade de autoridades.
Traficantes, contrabandistas e piratas ampliam suas fatias no mercado internacional já respondem hoje por cerca de 10% da atividade econômica no mundo.

O comércio ilegal e sua nova cara na economia global é o tema de Moisés Naím, economista venezuelano, que esteve no Brasil para lançar seu livro 'ILÍCITO'".

NÃO Veja. Pense!

Realmente atingiram o chão do abismo. Não há mais pra onde cair. A própria revista publicou:

"Veja usou de todos os seus meios para comprovar a veracidade dos dados. Não foi possível chegar a nenhuma conclusão - positiva ou negativa."

É a admissão de que os critérios jornalísticos já não importam. Em artigo para o Observatório da Impresa, o jornalista Alberto Dines decreta: "Isto não é piada, é epitáfio. Atestado de óbito jornalístico"

Pra mim, Veja já morreu há muito tempo, embora nossa classe média insista em manter esse zumbi vagando por aí, tentando acreditar que está vivo, que fala a "verdade".

O Presidente Lula respondeu aos ataques da revista, desqualificando-a. Dines reclama que embora tenha ganho algum destaque nos jornais num primeiro momento, logo o assunto foi esquecido. Segundo o jornalista, "revistas ou jornais são inimputáveis – mesmo em crimes de lesa-pátria e lesa-majestade – graças ao habeas corpus da solidariedade corporativa"

O embate Veja x Lula também foi comentado no blog Ponto de Análises.

Estatuto do PCC

Meu grande companheiro "Oni", nos convoca à reflexão a partir da publicação de alguns termos do Estatuto do PCC, organização que tem provocado terror em São Paulo, no blog Despertando Vozes*. Também queria propor levantar uma questão:

1-O Estado nunca deu nada além de porrada pra essas pessoas
2-Eles nunca tiveram voz na sociedade
3-As leis nunca funcionaram para eles
Então, porque diabos espera-se que eles respeitem o tal do "estado democrático de direito"? Se houve quebra do "contrato social", quem quebrou primeiro?
Se as leis não funcionam eles criam as próprias... E quando a bagaça explode num tem essa de "tenho meus direitos" não, morô?

Leia:
-Estatuto do PCC
-Lei de Execução Penal


*Aliás, leitura recomendabilíssima do Despertando Vozes, no qual Oni (wlmansur), que também é colaborador do Grito Sufocado, e Tatiany trazem questões muito pertinentes e pouco discutisdas em nossa sociedade que prima pelo espetáculo e pela superficialidade. Quem tiver tempo leia até os posts mais antigos.

16.5.06

Jornal Laboratório é censurado em Brasília

A informação é do Centro de Mídia Independente:

"Estudantes do 6º semestre de jornalismo do Centro Universitário de Brasília (UNICEUB) foram surpreendidas/os na terça (09) com a atitude autoritária e repressiva da reitoria, que não permitiu a distribuição da 2ª edição de 2006 do Jornal Esquina, produzido pelos mesmos. A impressão do jornal já havia sido autorizada, mas o Reitor Getúlio Américo Moreira Lopes, ordenou que os 3 mil exemplares dos jornais não fossem distribuídos em Brasília.

O motivo da censura foi a matéria intitulada "Comigo é no popular". Nela, o populismo do ex-governador Joaquim Roriz é exposto de forma coesa sem nenhuma mentira ou agressividade. Ao contrário da maioria dos meios de comunicação do Distrito Federal (que estão sobre influência de Roriz), o texto fornece opiniões contra e a favor dos 4 mandatos do futuro candidato ao Senado. (...)"

15.5.06

Visita ao Centro de Formação do MST

O Movimento Estudantil Organizado (MEO), um grupo apartidário, está organizando uma visita ao Centro de Formação do MST, em São Mateus, nos dias 3 e 4 de junho (sábado e domingo).

Sairemos de Vitória no sábado pela manhã e voltaremos domingo à noite. A programação inclui, palestras, debates, mostra de vídeos, noite cultural, momento de lazer e visita a um assentamento.O preço máximo é de 26 reais, o que inclui o transporte e uma quantia para ajudar na alimentação, que será oferecida pelo MST. Esse preço ainda pode diminuir dependendo dos apoios que conseguirmos.

Seria uma ótima oportunidade de conhecermos mais de perto esse movimento tão grande e organizado e tão execrado pela grande mídia. ESTÃO TODOS CONVIDADOS! Os interessados favor responder este post ou entrar em contato com:

Vitor Taveira
(5º perídodo de Comunicação da Ufes)
Tel: 9982-2748 / 33241012
vitortaveira@yahoo.com.br

Paulo Vinicius (Contec da Serra)
Tel: 9921-7987 / 3328-1995

paulovinicius.cs@hotmail.com

Obs: Vagas limitadas. Já preenchemos metade do ônibus.
O jornalismo me encanta. As pessoas mais ainda. O jornalismo se faz com fatos, com dados. Mas quem fazem os dados e os fatos se não as pessoas? Partindo dessa premissa, achei que talvez as reportagens pudessem ser diferentes do que a grande mídia nos passa. Quem são as pessoas que fazem a história? Que criam os fatos, que formam os dados? Que multiplicam o saber num rizoma expansivo sem nem fazer idéia de que entranhas podem alcançar nem do tamanho da árvore que podem sustentar? Que vozes ecoam aos nossos ouvidos e nem sabemos de onde vêm?
O que há de mais importante que o jornalismo possa captar? Política, ecomomia, dinheiro, poder... não... miséria, injustiça, mortes... vidas. Sim! Vidas vidas vidas! Homens, mulheres, homossexuais!!! Pretos, brancos, amarelos, vermelhos, verdes...
Será que não poderíamos humanizar o jornalismo? Será que não poderíamos NOS HUMANIZAR mais? Ampliar nossos horizontes? O que que as pessoas podem nos acrescentar? E como faríamos para amplificar o que aprendemos? Como passar isso adiante?
Será que fazer isso é jornalismo? Só os diplomados podem ser jornalistas? Se a resposta a uma dessas duas últimas perguntas for não, estou perdendo tempo. Estamos perdendo tempo.
Para fazer algo que você gosta e acredita nunca foi preciso ser remunerado nem mandado. Então porque estou esperando um patrão, um emprego pra fazer o que eu gosto? E vocês? Mãos à obra moçada!!!
Passem adiante.

14.5.06

13 de maio de 1888

Lei Áurea:

Art 1° - É declarada extinta desde a data desta lei a escravidão no Brasil.
Art 2° - Revogam-se as disposições em contrário.



Há o que comemorar?

14 de maio


Ontem foi comemorado o Dia da Abolição da Escravatura, em que a Lei Áurea deu liberdade a todos os escravos, indistintamente. Em 13 de maio de 1888, dizem historiadores (eu ouvi um deles ontem no Jornal Nacional falando sobre isso) houve a maior festa jamais vista na Terra Brasilis, a celebração não de uma benesse da Princesa Isabel, ainda que fosse uma abolicionista, mas de uma conquista do movimento pela abolição, que já confabulava uma década antes para que isso fosse possível.

Então negros e abolicionistas festejavam naquele 13 de maio. Imagino como foi o dia seguinte. Os fazendeiros, cafeicultores, queixavam-se de não serem indenizados pela perda da mão-de-obra, e de uma hora para outra integraram outro movimento, eram os Republicanos do 14 de maio.

Mas nesse dia havia também os negros de 14 de maio, também não indenizados, sem ter, literalmente, para onde ir. Alguns deles permaneceram nas fazendas de seus senhores, outros foram descobrir que as fazendas e os senhores os acompanhariam por toda a vida, onde quer que fossem.Ainda hoje, muitos negros do 14 de maio andam por aí.

13.5.06

Uma verdade inconveniente

An Inconvenient Truth é um documentário lançado este ano nos Estados Unidos, produzido e narrado por Al Gore, que perdeu as eleições presidenciais daquele país quando George W. Bush conseguiu o seu primeiro mandato. O inconveniente, no entanto, não é Al Gore, embora as questões suscitadas pelo documentário aqueçam as críticas ao Presidente Bush em seu período de maior impopularidade entre os americanos.

Os efeitos e, principalmente, as causas do aquecimento global são o ponto central do documentário, lançado logo após estudos científicos que comprovam que a anomalia climática tem ligação direta com as ações do homem no planeta. Devido à conduta um tanto relapsa quanto às medidas para a preservação do meio ambiente, nada mais inconveniente para o governo americano do que a comprovação do erro.

Embora as questões ambientais não sejam o epicentro de nenhum furacão político, já que a maioria dos americanos não se importa muito com isso (do contrário não reelegeriam Bush), a corrente em prol da adoção de medidas mais efetivas para a contenção do aquecimento global vem crescendo em todo o mundo, até nos Estados Unidos, palco de um outro furacão, o Katrina, o que parece ter despertado uma inesperada consciência ambiental.

7.5.06

Um palanque. Uma nação.

Em época de eleição, tudo que possa subir ao palanque para alavancar a candidatura de alguém, acredite, subirá. Os recentes episódios envolvendo a tão alardeada auto-suficiência em petróleo e a nacionalização do gás da Bolívia, por exemplo, subiram.

“O Petróleo é nosso” foi ao palanque de Lula, numa clara demonstração de que em política nada se cria, tudo se copia. Já a “aviltante” medida da Bolívia caiu nas graças da oposição e foi ao encontro do palco de Alckmin. Dois eventos quase paralelos ligados ao fornecimento de energia ao país estão em lados opostos.

O eleitorado, no entanto, está no meio de tudo isso. E assim também embebido em outras inúmeras acusações, de e para todos os lados, denúncias escabrosas que, curiosamente, só aparecem em época de eleição.Garotinho respondeu com greve de fome, o que não deixa de ser também uma ofensa aos eleitores, afinal pode-se ver de tudo subir ao palanque, mas chantagem, ou no caso de um garotinho, pirraça?

Quanto aos méritos dessas e de outras questões, bem, isso não importa muito porque o significado político tem muito mais valor que o significado de fato. Está correta a Bolívia ao nacionalizar o gás e dar um pinote na Petrobrás? Se o nosso presidente pode fazer o tipo do “Petróleo é nosso”, porque o Evo Morales não pode fazer “O Gás é nosso”? Há irregularidades na campanha do Garotinho? Às vezes eu me pergunto em que campanha não há, porque eles escolhem só algumas para denunciar? O “mensalão” existia há um bom tempo? Puxa, que coincidência o renomado sr. Roberto Jefferson resolver denunciar tudo só lá pro final do mandato do PT. E quem se lembra do dinheiro da Roseana Sarney na última campanha presidencial?Por forças “ocultas”, como diria Jânio Quadros, a denúncia só apareceu quando a pré –candidata atestava bons índices nas pesquisas.

O fato do mar de lama só vir à tona durante a campanha eleitoral, no entanto, também não diminui o “mérito” dos objetos da denúncia. O que diminui mesmo é o respeito com o eleitor, com o povo brasileiro, que só é chamado de povo quando se tem intenções eleitoreiras. O que aumenta é o espaço no palanque, sempre pronto a receber qualquer “atentado” contra os direitos do “povo”.

3.5.06

Como estavam dizendo

Com relação aos recentes posts sobre Cidadão Kane, Rede Globo, etc. Acabei de ver uma notícia que realmente confirma o que o Vitor havia postado, realmente o povo acredita na maldita Globo:

"Mas ainda assim o órgão de comunicação considerado mais confiável no país foi a Rede Globo, citada por 52% dos consultados. O segundo órgão citado na categoria foi o jornal O Globo, mencionado por 4% das pessoas ouvidas."

reportagem retirada da BBC nesse link

é triste mesmo =/

2.5.06

Exposição de Sebastião Salgado em Vitória

Na última sexta-feira foi inaugurada a exposição Genesis, do famoso fotógrafo Sebastião Salgado. A cidade premiada com a estréia foi Vitória, capital do Espírito Santo. Pesam os fatos de Salgado ser capixaba de coração e da patrocinadora (Arcelor) ser dona da empresa CST, localizada na cidade.















O nome escolhido já aponta o objetivo da exposição: mostrar lugares que ainda não foram deteriorados pela ação nociva do homem. Num dos folders do projeto, o fotógrafo afirma: "Em Genesis, meu objetivo é encontrar e revelar um mundo onde a natureza e animais, incluindo os humanos, ainda vivem em equilíbrio." Para isso, ele viajou a lugares longínquos. Não para aprensentar locais exóticos que atraiam o interesse de turistas, mas para "despertar a consciência sobre a necessidade de proteger e preservar todos os seres vivos e o mundo que eles habitam."

No tradicional preto-e-branco de Salgado, a natureza perde o esplendor de suas cores e ganha um tom melancólico, como se clamasse por socorro. O artista destaca que desse modo "oferece uma nova maneira de perceber a pureza e a graça da natureza".

A exposição não poderia ser realizada em local mais adequado na capital capixaba: o Parque da Pedra da Cebola, em Jardim da Penha. Um pedaço de um verde vibrante dentro de uma cidade que aos poucos vai se tornando mais cinza, um lugar em que famílias se reúnem para encontrar harmonicamente com a natureza. Genesis ficará em Vitória até o dia 26 de maio, aberta de 8 às 21h.

  • Algumas fotografias da exposição Genesis aqui
  • Mais fotos de Sebastião Salgado aqui
Um fotógrafo comunista se alia a grandes empresas na realização de uma exposição. O objetivo é atentar quanto à necessidade de preservação da natureza mas o patrocinador é um dos maiores poluidores da cidade onde a exposição estréia. Contradição ou tudo pela arte?

1.5.06

Cidadão Kane

Hoje finalmente assisti ao filme "Cidadão Kane". O clássico do cinema mundial foi dirigido, produzido e estrelado pelo genial Orson Welles, na época com 25 anos. A produção conta a história de um grande magnata das comunicações, Charles Kane, a partir de sua morte e do mistério acerca da última palavra pronunciada por Kane em vida: "Rosebud". O enigma sobre a palavra conduz a trama e só é descoberto no fim do filme. Um final surpreendente.

A obra foi totalmente inovadora -pra não dizer revolucionária- pela época em que foi produzida (anos 40). Aspectos técnicos comuns do cinema atual como a montagem não-linear, alguns movimentos de câmera como o travelling e a profundidade de campo explorados pioneiramente na obra de Welles. Além disso, foi polêmico por apresentar uma forte crítica ao sistema jornalístico da época- na verdade, o filme foi baseado na história real de uma magnata norte-americano. Se as inovações técnicas são usadas até hoje na arte do cinema, a crítica à mídia também permanece incrivelmente atual.
Como não sou especialista em cinema recomendo a leitura da crítica de Rodrigo Cunha sobre o filme, na qual me baseei para esse pequeno relato. Tanto pra quem já assistiu quanto pra quem ainda vai assistir.

Muito Além do Cidadão Kane

Por incrível conhecidência, nesse mesmo dia, descobri um atalho na net para assistir ao documentário "Muito Além do Cidadão Kane", ao qual já havia visto depois de comprar uma cópia pirata feita pelo Centro de Mídia Independente. Trata-se de uma produção da BBC sobre a história do império de comunicação da Rede Globo no Brasil. A alusão ao filme de Orson Welles parece óbvia para qualquer cidadão que conhece a história empresa e de seu dono, o falecido Roberto Marinho.

Porém, desde seu lançamento em 1993, a exibição de "Muito Além do Cidadão Kane" foi proibida em território brasileiro por medida judicial conseguida pela Rede Globo. Mesmo assim, muitos se esforçam para divulgar o vídeo, devidamente pirateado com ajuda das novas tecnologias. A ousadia chegou ao ponto da exibição do documentário na parede externa do prédio da RBS, filial da Globo no Rio Grande do Sul, durante uma das edições do Fórum Social Mundial em Porto Alegre.
Você pode ver diretamente pela internet ou fazer download. São as maravilhas da rede...
Para assitir clique aqui
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